Após quase 20 anos, o conjunto de áreas preservadas em Minas Gerais está em processo de revisão. Uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais auxilia nos trabalhos, com oficinas com especialistas e reuniões com comunidades tradicionais para identificar onde devem ser investidos recursos para conservação da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos. 

Segundo o professor do Departamento de Biologia Geral, Adriano Paglia, atualmente há mais informações disponíveis sobre a distribuição espacial da biodiversidade no Estado do que em 2000, quando as áreas de preservação foram definidas. Além disso, há mais pressão das atividades humanas sobre os recursos naturais. 

“O trabalho de revisão vem sendo feito à luz de novos conhecimentos biológicos e de técnicas de avaliação espacial, levando em consideração também a dinâmica de pressões antrópicas, como o avanço do desmatamento, das fronteiras agrícolas e de atividades como mineração, construção de barragens, expansão imobiliária e urbanização desordenada”, explica.

Em sua opinião, a definição das áreas para conservação é “um compromisso, com a sociedade atual e as futuras, não apenas para proteção da fauna e da flora, mas também de benefícios ambientais que esses ecossistemas íntegros proveem”.

Projeto

O projeto "Áreas prioritárias: Estratégias para conservação da biodiversidade e dos ecossistemas em Minas Gerais" tem a coordenação institucional do Instituto Estadual de Florestas (IEF), com apoio do projeto de Proteção da Mata Atlântica em Minas Gerais (Promata II). A parte técnica é desenvolvida por meio de parceria entre a UFMG e as organizações não governamentais WWF-Brasil e Fundação Biodiversitas.

“Não se trata de um projeto acadêmico, mas de entrega de produto que pode se tornar um instrumento de política pública ambiental”, observa Adriano Paglia, lembrando que a versão anterior do mapa de áreas prioritárias da biodiversidade de Minas Gerais ofereceu subsídios para a criação de áreas protegidas, unidades de conservação, investimento em restauração ambiental e estabelecimento de corredores ecológicos.

Segundo Paglia, há uma enorme biodiversidade no Estado, distribuída em quatro grandes ecossistemas ou biomas – mata atlântica, cerrado, caatinga e campos rupestres. “É necessário levantar e reunir informações sobre a intensidade das pressões, a tendência para evoluírem com o tempo, bem como os dados sobre onde estão as espécies que precisam de mais atenção”, informa.

A equipe da UFMG envolvida no projeto utiliza a metodologia de trabalho planejamento sistemático para conservação, que estabelece alvos de conservação, como espécies ameaçadas, regiões de alta relevância ecológica e tipos de ambientes ameaçados, e define custos e metas para conservação de cada um desses alvos.

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