Após quase quatro anos desde o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na região Central de Minas, e faltando um ano para a data de entrega definida pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a construtora Andrade Gutierrez foi contratada para trabalhar na reconstrução do "novo" distrito de Paracatu de Baixo, cuja área original foi atingida pela lama de rejeitos. O contrato foi assinado nessa segunda-feira (29) com a Fundação Renova, responsável pelas ações de recuperação de danos da tragédia.

Também nessa segunda a Renova deu início à edificação da primeira residência no terreno onde será construído o novo distrito de Bento Rodrigues. O local antigo foi o mais atingido pelo rompimento. As construções de Paracatu de Baixo e de Bento Rodrigues estão sendo feitas no município de Mariana em áreas escolhidas pelos atingidos. As obras que reconstruirão o distrito de Gesteira ainda aguardam estudos técnicos para o início. A decisão judicial que determinou a reconstituição das áreas atingidas estabelece que, até agosto de 2020, todas as cerca de 432 famílias já estejam realocadas em residências fixas.

A Renova, no entanto, declarou que trabalha para entregar o reassentamento no prazo acordado pela decisão judicial e atribuiu a lentidão até agora ao fato de o processo ser feito individualmente. Cada morador passa por etapas para a aprovação de projeto arquitetônico que respeite, dentre outros fatores, a percepção da relação de vizinhança e a originilidade da nova casa em relação à construção destruída no rompimento. 

Em nota, a fundação afirmou que "todos os assuntos que podem impactar os prazos do reassentamento, estão sendo tratados no âmbito de uma Ação Civil Pública, com a participação do Ministério Público, mantenedoras, representantes dos atingidos, além da Fundação Renova."

Obras

Em Paracatu de Baixo, a fundação trabalha desde o mês passado no corte das árvores para posterior abertura de ruas, processo previsto para se encerrar apenas no fim deste ano. Só após a criação das vias, serão possíveis as visitas dos atingidos para o reconhecimento do lote, análise de insolação, posição das casas, entre outros. 

Mesmo sem cronograma fechado, a Renova trabalha com simulações de terrenos em ambiente virtual para que cada família conheça o projeto. Haverá, ainda, a revisão detalhada do desenho, bem como definição de acabamentos, pisos e pinturas que serão aplicados. O projeto conceitual urbanístico do reassentamento de Paracatu de Baixo foi aprovado pela comunidade em assembleia em setembro de 2018, com 97% de votos favoráveis.

Outro ponto que traz lentidão ao processo, mas que é devidamente necessário, é a discussão sobre a localização e características de equipamentos e bens públicos, como escola, igrejas, praças, posto de saúde, posto policial, entre outros. Todos eles, segundo a mineradora, devem estar de acordo com os hábitos coletivos.

Bento Rodrigues

Distante 10km do distrito original, o 'novo' Bento Rodrigues começou a ser efetivamente instalado nessa segunda-feira (29), no distrito de Lavoura. 

Segundo a Fundação Renova, entidade criada para mobilizar a reparação dos danos e composta por representantes interessados, as primeiras paredes no terreno foram levantadas logo após a assinatura do contrato com a HTB, empresa que realizará os serviços de infraestrutura e de construção de residências e bens públicos no reassentamento coletivo de Bento. 

O projeto conceitual urbanístico do reassentamento coletivo de Bento foi aprovado pela comunidade em fevereiro do ano passado, com 99,44% de votos favoráveis. Veja o andamento: 

- Maio de 2018: início da construção de canteiro de obras;
- Dezembro de 2018: término do canteiro de obras;
- Agosto de 2018: obras de supressão vegetal; 
- Novembro de 2018: fim das obras de supressão vegetal;
- Janeiro de 2019: início das obras de infraestrutura (drenagem pluvial, rede de alimentação elétrica); 
- Julho de 2019: início de obras de fundação das casas, da escola municipal e do posto de saúde de Bento Rodrigues. 

Todo o processo pode ser acompanhado no site da Fundação Renova.

Maior tragédia ambiental do Brasil

O vazamento de 62 milhões de metros cúbicos de lama de rejeitos de minério, causado após rompimento da barragem de Fundão, matou 19 pessoas e deixou milhares de pessoas desabrigadas. 

A tragédia também causou a poluição do Rio Doce e danos ambientais que chegaram aos estados do Espírito Santo e da Bahia. O vazamento é considerado o maior de todos os tempos em volume de rejeitos.