Minas não vai mudar o protocolo de vacinação contra a Covid-19, mesmo após o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, recomendar que novos lotes dos imunizantes sejam utilizados na aplicação da primeira dose. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) vai analisar a situação, mas, nesse momento, seguirá reservando duas aplicações ao público-alvo.

A orientação da pasta federal foi feita em reunião com a Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), semana passada. Hoje, está prevista a chegada de 2 milhões de doses do imunizante da AstraZeneca/Oxford importadas da Índia. Outra remessa, com 2,7 milhões da CoronaVac, deve ser entregue pelo Instituto Butantan nos próximos dias. 

Segundo o infectologista Estevão Urbano, o Comitê de Enfrentamento à Covid-19 da capital sequer colocou a pauta em discussão. Conforme o especialista, uma possível mudança só deveria ocorrer em situações excepcionais, como o colapso em Manaus.

“Não faz sentido fugir daquilo que foi estudado. Em situação de caos, até pode ser considerado, mas tirando isso, deve-se manter o protocolo original e as pessoas continuarem se cuidando até termos a vacina para todos”, avaliou.

De acordo com o médico, a CoronaVac foi desenvolvida para ser distribuída em duas doses e, por isso, teria, possivelmente, um resultado de imunização pior do que o esperado somente com a primeira aplicação.

“Nesse momento, não há evidências que nos garantam segurança em uma dose só das vacinas que estão sendo aplicadas. Então, é um risco desnecessário a ser corrido. Não quer dizer que dará errado, mas é um risco”, afirmou. 

Para o infectologista Unaí Tupinambás, também membro do comitê, esse novo modelo só seria viável com as doses da vacina da Universidade de Oxford, produzida no Brasil em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), pois a segunda aplicação é feita em até três meses após a primeira.

“Com a da Oxford, se chegarem 100 mil unidades, posso aplicar em 100 mil pessoas, contando que daqui a três meses teremos mais 100 mil para vacinar a segunda dose”, disse.

Ponto a ponto:

• A Prefeitura de Belo Horizonte informou que, sem o recebimento de novas remessas, não será possível ampliar a vacinação. 
• Mas mudanças na ordem de prioridade poderão ser analisadas. Para isso, no entanto, aguarda um comunicado oficial do Ministério da Saúde, a partir da chegada das novas doses.
• Sobre a previsão de mais imunizantes em Minas, a Secretaria de Estado de Saúde afirmou que apenas desenvolve a logística para a distribuição após ser comunicada pela pasta federal, o que ainda não aconteceu.

Além disso:

Apesar da recomendação de Pazuello, o Ministério da Saúde deverá ter só 5,6 milhões das 11,3 milhões de doses esperadas fevereiro. O Butantan alegou que não conseguirá produzir as unidades prometidas por atrasos no recebimento da matéria-prima.

Ontem, um avião com a remessa de 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca decolou de Mumbai, na Índia. As vacinas devem chegar a São Paulo hoje e seguirão para o Rio de Janeiro, onde serão levadas para o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz).

Em Minas, segundo o Vacinômetro, painel da SES que monitora a campanha no Estado, a primeira dose dos imunizantes contra o coronavírus foi aplicada em 499.928 pessoas. Deste grupo, 178.051 receberam a segunda dose.

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