Falta muito para que as regras apresentadas na Cartilha do Ciclista, divulgada na terça-feira pelo Ministério das Cidades, sejam seguidas em Belo Horizonte, afirmam integrantes de movimentos e associações de ciclistas. Apesar dos avanços apresentados no documento, ele deixa ainda mais claros os problemas desse tipo de transporte na capital mineira: sinalização precária, desrespeito às normas de trânsito e vias exclusivas insuficientes.

A cartilha foi publicada em comemoração ao dia Mundial Sem Carro e normatiza a sinalização por placas e no piso e traz dicas de segurança.

No mesmo dia, a BHTrans realizou a primeira etapa da campanha “BH tem espaço para todos”, com atividades educativas na avenida Bernardo Monteiro, no bairro Santa Efigênia.

Integrante da Associação de Ciclistas Urbanos de Belo Horizonte (BH em Ciclo) e diretor da União de Ciclistas do Brasil (UCB), Guilherme Tampieri destaca a necessidade de melhorias na sinalização, principalmente nos cruzamentos. “São as piores partes”.

No documento, o ministério divulgou duas novas sinalizações: a placa indicativa de circulação compartilhada de ciclistas e pedestres e o símbolo no piso de rota de bicicleta (ciclorrota), que indica a existência de área sinalizada para ciclistas, juntamente com outros veículos.

As sinalizações foram aprovadas no dia 17 deste mês, em reunião do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

Educação

A cartilha, no entanto, é uma via de mão dupla: traz direitos dos ciclistas, mas alerta também para os deveres deles para que possam ter uma convivência harmônica com motoristas e pedestres. No material, os ciclistas são orientados a evitar atitudes consideradas comuns, como pedalar em calçadas onde o uso não é compartilhado e na contramão.

Para o voluntário do BH em Ciclo Vinícius Mundim, faltam campanhas educativas para mudar essa realidade. “A cartilha que chega nesta quarta-feira não pode ser considerada campanha, se for distribuída por duas horas. Tem que ter uma duração maior”, defende. A BHTrans informou que a campanha segue até o final do ano.

Participação

Até 2016, o ministério pretende concluir o chamado Manual Cicloviário, documento que conterá orientações para que as cidades adaptem as ciclovias ao Código de Trânsito Brasileiro.

Segundo a coordenadora do projeto Pedala BH e superintendente de educação e projetos da BHTrans, Eveline Trevisan, o problema de sinalização na capital será resolvido a partir da publicação do manual. “Nesse momento, a gente está aguardando a finalização do manual para fazer tudo dentro do padrão nacional”.

BH possui 74,42 km de ciclovias. Até o fim deste ano, mais 20,49 km deverão ser implantados e, em 2016, outros 150, com recursos do governo federal.