Então, Brilha!, Tchanzinho Zona Norte, Garotas Solteiras, Juventude Bronzeada e Pisa da Fulô. Esses são alguns dos grandes blocos de rua de Belo Horizonte que correm o risco de terem os desfiles prejudicados neste ano. O motivo: a apreensão de dois carros de som - adaptados para funcionar como mini-trio-elétrico - pela Polícia Militar neste fim de semana 

Por meio de nota, a corporação informou que os veículos estão com a documentação irregular, uma vez que não possuem autorização para transportar passageiros na parte superior. Proprietário dos carros de som, Emerson Eustáquio afirma que a regra é nova e não foi informada anteriormente. 

"Desde outubro participo de reuniões com a BHTrans e o Corpo de Bombeiros, e estou com todas as documentações que foram exigidas. Agora a PM chegou com essa nova regra, mas sem aviso prévio", lamentou. A PM, no entanto, garante que regra não é nova e existe pelo menos desde 1997, quando o Código de Trânsito foi criado.

Fundadora e produtora do Tchanzinho Zona Norte, Laila Heringer reforça que a norma não havia sido informada pelos órgãos envolvidos no Carnaval de BH. "Foram vários encontros, e pensamos que estava tudo correto. Agora, estamos correndo atrás para liberação dos veículos no prazo", contou.

Além de negociação com a Belotur e BHTrans, o bloco também ingressou com um mandado de segurança para que a Justiça permita a circulação do veículo. O dono dos carros de som também está na "batalha" junto ao Detran para que a documentação seja emitida e o veículo liberado. 

Então Brilha!Então, Brilha! é um dos blocos que desfila com o auxílio do carro de som adaptado

Ameaça

Apesar da força-tarefa, o temor de que os desfiles sejam prejudicados é real. "Estamos confiantes que a Belotur vai dar um jeito de resolver isso. Mas é um perigo, é um risco real se não conseguirmos a liminar", lamentou Laila. O 'Tchanzinho', que neste ano vai desfilar pela primeira fez na Pampulha, espera arrastar mais de 100 mil foliões no sábado (22).

Emerson do Som, como o dono dos veículos é conhecido na cidade, garantiu que fará o possível para não deixar os clientes e foliões no prejuízo. "Tem cinco anos que faço os blocos e nunca tive problema. Sempre desfilo com os documentos que foram apresentados neste ano. É uma regra nova que pegou todo mundo de surpresa, que surgiu com o Carnaval já em andamento. Se tivesse avisado antes, teria resolvido antes", disse.

Regra

Porta-voz do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar (BPTran), o tenente Marco Antônio Said destaca que o Código de Trânsito Brasileiro é de 1997, sendo que nenhuma regra nova foi criada pela corporação. "O código prevê que não podem ser transportadas pessoas no compartimento de carga, e isso foi o que aconteceu com os trios removidos", disse.

O oficial explica que, após fazer a adaptação do veículo, como ocorreu nos carros de som, "é preciso procurar o Detran para fazer a vistoria numa empresa credenciada, permitido o Certificado de Segurança Veicular e transformando aquele veículo em trio-elétrico, para que ele possa transportar pessoas. Não é simplesmente pegar o veículo, adaptar o som na carroceira e achar que está tudo ok", explicou o militar.

Procurada pela reportagem, a Belotur ainda não se manifestou. A prefeitura, por sua vez, disse que a PM seria a responsável pelo posicionamento. O Detran, por sua vez, não estipulou um prazo para liberação da documentação. O órgão informou que, em alguns casos, o Certificado de Segurança Veicular pode ser emitido no mesmo dia que for solicitado. 

Para isso, o dono do carro de som deve pegar uma autorização no site do departamento de trânsito, ir até uma empresa credenciada ao Inmetro e fazer a inspeção. Após o procedimento, e com o certificado em mãos, o proprietário do veículo tem que preencher um formulário na página do Detran, pagar uma taxa de R$ 89,08 e fazer uma vistoria no órgão.

Apreensão

Os problemas com os carros de som começaram a surgir na última sexta-feira (14), com o cortejo do Abre-te Sésamo. "Fomos informados pela PM que não poderíamos seguir no trio, então desfilamos na rua e animamos mais de oito mil pessoas no Centro de BH", falou Milton Carvalho, fundador do bloco.

No fim de semana, o transtorno voltou a se repetir com os blocos Asa de Banana e Me Beija que Sou Pagodeiro. Criador e organizador do "Me Beija", Matheus Brant lembrou que os militares chegaram antes do desfile e explicaram sobre a irregularidade. "Fizemos o desfile em cima do palco, porque seria inviável na rua. No final do cortejo, o veículo foi multado e apreendido.

Por causa do receio, alguns blocos fizeram um manifesto. Confira abaixo:

Leia mais:
Carnaval 2020: especialistas alertam para cuidados com preservativos
Carnaval 2020! Conheça agremiações, formato e premiações para o desfile deste ano, em BH
Sol ou chuva no Carnaval de BH? Previsão aponta como ficará o tempo na cidade