Aprovados no processo seletivo para o cargo de agente penitenciário em Minas Gerais amanhecem, desde o dia 27 de abril, acampados na Praça da Assembleia, no bairro Santo Agostinho, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Nesta terça-feira (11), quem passou pelo espaço pode ver as faixas dos manifestantes, que cobram a convocação imediata dos cerca de 4 mil aprovados.

O processo seletivo, aberto em outubro e cuja prova foi aplicada em novembro de 2018, tinha como objetivo "atender demanda excepcional de interesse público", segundo informou a  Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap) de Minas Gerais à época da abertura do certame. Thales Saraiva, líder do movimento que se manifesta na ALMG, afirma que o processo foi feito em caráter emergencial e, por isso, os aprovados deveriam ser convocados imediatamente. "Muitos deixaram os empregos para fazer o curso introdutório, que aconteceu em fevereiro, contando com o cargo no sistema, agora estamos desempregados e esperando por uma vaga que é nosso direito", afirmou.

Ainda de acordo com Thales, 322 aprovados foram convocados na última semana, mas cerca de 4 mil já fizeram o curso introdutório. O governo do Estado, por sua vez, afirmou que deve convocar 750 aprovados até o fim do ano. Em nota, o executivo informou que está aberto a diálogo e que "conforme edital publicado, a seleção é voltada ao cadastro de reserva, ou seja, as vagas serão ocupadas de acordo com as demandas do sistema prisional e disponibilidade orçamentária de Minas Gerais". A assessoria de imprensa do governo, contudo, admitiu que os prazos sofreram ajustes devido às análises dos recursos impetrados por alguns candidatos.

Efetivo

De acordo com a Seap, o sistema penitenciário de Minas conta com 18 mil agentes distribuídos por 197 unidades prisionais em todo o Estado. Para Thales Saraiva, no entanto, o número não é suficiente. "Uma das coisas que defendemos aqui é que o sistema penitenciário em Minas não seja alvo de ações como a de Manaus, pois temos um déficit de cerca de 8 mil agentes, e se isso não for resolvido, pode acontecer aqui como aconteceu lá", defendeu.

Perguntado, o governo de Minas não respondeu se o efetivo de agentes penitenciários em Minas é o suficiente.

Próximos passos

Thales afirmou que ele e os colegas pretendem continuar se manifestando até que a demanda da convocação seja atendida. "O secretário de segurança vem à ALMG no dia 17 para prestar contas e vamos estar aqui esperando ele para que ele resolva nossa situação. Já protestamos na Cidade Administrativa, na Assembleia, e se precisar vamos acampar em frente à casa do governador, com barraca e tudo", afirmou.

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