Aos 10 anos, Paloma Cristine Ferreira começa a descobrir o prazer da arte. Todos os dias, faz aulas gratuitas de percussão, canto, dança e reforço escolar. Atividades novas para a garota da Pedreira Prado Lopes (PPL), em Belo Horizonte, que hoje tem outra perspectiva de futuro.

Tudo isso foi possível graças ao trabalho de entidades sociais que formam uma “corrente do bem”. Sem exigir retorno financeiro, acolhem menores em situação de vulnerabilidade social e, por meio do esporte, da arte ou da cultura, abrem as portas para que eles escrevam a própria história longe das drogas e da violência.


No lugar da família

Projetos sociais são valorizados pelo sociólogo Rudá Ricci, para quem as entidades cumprem um importante papel. “Temos uma noção de família muito romantizada. Mas quem acompanha pessoas em risco social percebe que os parentes podem ser altamente destrutivos. No mundo real dessas crianças, as instituições têm mais valor que um pai ou uma mãe”, avalia.

O “poder de transformação” dessas instituições também é reconhecido por Tânia Mara Lopes Cançado, diretora do Projeto Cariúnas, no bairro Planalto, em Venda Nova. “Mais de 200 crianças têm aulas de flauta, violão, instrumento de sopro, coral”, diz. “A arte aumenta a sensibilidade do ser humano, faz com que ele veja o mundo de outra forma e, se bem orientada, pode transformar a vida de alguém”.

Mais do que formar cidadãos, as ONGs contribuem para o desenvolvimento social e mental dos pequenos ao oferecer a eles a chance de brincar e desenvolver habilidades artísticas e esportivas.

É o caso de Paloma que, com o pai morando em São Paulo e a mãe atrás das grades, é criada pela bisavó. Desde que entrou para a ONG Instituto Pedra Viva, em 2012, a menina passou por grande mudança. Melhorou as notas na escola e aprendeu lições para a vida.

“Posso tratar bem uma pessoa que usa drogas, sem seguir o caminho que ela escolheu. Quem usa droga teve um ponto de parada na vida. Não quero isso para mim”, diz, com uma maturidade de espantar qualquer adulto.

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