O Circuito Urbano de Arte (Cura), festival artístico que realiza pinturas em prédios de Belo Horizonte, pediu à Justiça mineira a suspensão de investigação sobre supostos crimes de pichação e contra o meio ambiente presente em uma das obras do grupo.

A Polícia Civil confirmou a abertura de inquérito sobre o caso e informou que a investigação tramita na Delegacia Especializada em Investigação de Crimes contra o Meio Ambiente (Dema).

Segundo o festival, seis artistas do coletivo envolvidos com a produção da pintura "Deus é mãe", que utiliza de técnica do picho, foram incluídos criminalmente no inquérito e, caso condenados, podem pegar até quatro anos de prisão. 

"Entendemos que esse processo é uma investigação ilegal e racista, que criminaliza artistas periféricos e a própria arte urbana e que quer determinar arbitrariamente o que é ou não é arte", declarou o grupo, em nota.

O coletivo ainda afirmou que o inquérito acontece em contexto de perseguição "desproporcional aos pixadores na cidade de Belo Horizonte" e dentro de um cenário de cerceamento de liberdades constitucionais no âmbito nacional.

"Não aceitaremos a tentativa de criminalizar os artistas. Não aceitaremos a tentativa de criminalizar o festival. Não aceitaremos os ataques racistas à obra "Deus é mãe". Entramos hoje com pedido no Judiciário para obter o trancamento da investigação", informaram.

Apesar de confirmar a abertura do inquérito, a Polícia Civil declarou que a investigação segue sob sigilo e que mais informações "serão repassadas em momento oportuno".

O Hoje em Dia procurou o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) para confirmar o envio do pedido de suspensão do inquérito, bem como obter informações sobre a apreciação judicial do caso, e aguarda retorno.

 

 

"Deus é mãe"

Considerado o maior mural em empena do Brasil, com quase dois mil metros quadrados, "Deus é mãe" foi criado pelo artista paulista Robinho Santana durante a quinta edição do festival, realizada no ano passado.

Além dele, Poter, Lmb, Bani, Tek e Zoto, de BH, colaboraram na produção da obra, todos a convite do Cura e do artista Robinho.

"Os convidados fizeram uma intervenção artística na obra utilizando caligrafia na estética do pixo", relatou o Cura.

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