A região urbana de Mariana não foi atingida pela lama do rompimento da barragem de Fundão, que deixou 19 mortos e um rastro de destruição. Porém, todo o município sentiu profundamente os impactos socioeconômicos da tragédia, que completa cinco anos nesta quinta-feira (5).  

As principais dificuldades foram destacadas pelo prefeito Duarte Júnior. Para ele, há uma burocracia que trava ainda mais a situação. “Os atingidos têm muita dificuldade para conseguir indenização, as construções estão atrasadas, a economia da cidade sofreu muito”, diz.

Intervenções na cidade, como forma de compensar o rompimento da barragem, foram acordadas com a Fundação Renova. Até o momento, foi entregue a reforma e ampliação do Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSij), em maio deste ano. Ainda faltam as obras de saneamento básico e de readequação do aterro sanitário, além da doação de um terreno de 33 hectares destinado ao Plano Habitacional para o município.

Para o prefeito, as obras poderiam ter sido agilizadas se a própria administração municipal fosse a executora. “O poder público é quem tem conhecimento sobre educação, saneamento e saúde”, afirma Duarte

A Fundação Renova informou que trabalha em uma série de ações que incluem estímulo à contratação de fornecedores e mão de obra local, linhas de crédito especiais e obras que ficarão como legado à cidade.

“Até agosto deste ano, foram registrados 125 contratos ativos com fornecedores de Mariana, que representam cerca de R$ 806 milhões. Do total de colaboradores, cerca de 63% são locais (diretos e terceiros). A meta é atingir os 70% de contratação local ou mais”, afirmou a fundação.

Desse montante, R$ 480 milhões já foram depositados em juízo, segundo a Renova. O restante será repassado em 6 e 12 meses. A liberação da verba é feita pela 12ª Vara Federal de acordo com os cronogramas das obras.

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