Um dia após um homem ser preso por impor-tunação sexual em ônibus na capital, com acionamento do botão de pânico, o crime voltou a ser registrado na cidade. Ontem, duas mulheres denunciaram assédio ocorrido também dentro de um coletivo. Porém, o veículo não contava com o dispositivo criado para conter delitos do tipo no transporte público.

A ausência do equipamento chama a atenção, uma vez que o sindicato que representa as empresas de ônibus de Belo Horizonte garantiu que ele já havia sido instalado em todos os 2.900 veículos da frota. 

Apesar da falta do instrumento, o suspeito, um mecânico de 49 anos, foi detido em flagrante. A prisão foi possível porque um outro passageiro ligou para o 190. O caso aconteceu em ônibus da linha 5106 (Bandeirantes/BH Shopping). De acordo com o cabo da Polícia Militar Luciano Silva, o homem entrou no veículo na Estação São Francisco, na avenida Antônio Carlos, na Pampulha, por volta de 8h30.

No trajeto, teria esfregado o órgão genital nas duas mulheres, uma manicure de 19 anos e uma funcionária pública de 25. O coletivo foi abordado pelos militares na avenida Afonso Pena, em frente à Igreja São José, já no Centro. 

“O ônibus não estava muito cheio, mas eu estava em pé e ele ficou ‘relando’ em mim. Eu mudava de lugar e ele ia atrás”, contou a manicure já na Delegacia de Mulheres, no Barro Preto, região Centro-Sul da metrópole, onde a ocorrência foi registrada.

Revoltada, a funcionária pública afirmou que o homem já a tinha assediado no mesmo coletivo na última quarta-feira. “Espero que ele seja preso e fique por lá um bom tempo”, desabafou.

Justificativa

Questionado, o suspeito negou as acusações. “Até passei a mão na bunda de uma delas quando eu estava pegando minha sacola que agarrou em uma poltrona, mas foi sem querer”, alegou.

Sobre a acusação de ter cometido o crime na quarta-feira, ele voltou a se defender. 

“Moro em Justinópolis (na Grande BH), nem ao Centro (da capital) eu fui. É mentira”. Segundo a Polícia Militar, o homem não tem histórico criminal.

A Polícia Civil informou que o mecânico foi autuado por importunação sexual e seria encaminhado ao sistema prisional. Condenado, ele poderá pegar de um a cinco anos de cadeia.

Procurado pela reportagem, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH) não se posicionou, até o fechamento desta edição, sobre a falta do botão de pânico no veículo.

Reincidência

Em 23 de outubro, o Hoje em Dia mostrou que os casos de assédio às mulheres no transporte de passageiros triplicaram no Estado. As queixas em ônibus, metrô e trens passaram de 15, de janeiro a setembro de 2017, para 48 no mesmo período deste ano, segundo a Secretaria de Estado e Segurança Pública.

Para conter o problema na capital, além da criação do botão do pânico integrado a central de monitoramento da Guarda Municipal, apitos foram distribuídos às usuárias do transporte público da cidade.