A UFMG agora está no espaço. A universidade foi eternizada na Via Láctea depois que pesquisadores do Departamento de Física identificaram três aglomerados de estrelas e os batizaram em homenagem à instituição. O feito coloca em evidência os métodos desenvolvidos e o empenho dos cientistas para identificar os grupos estelares.

A histórica proeza aconteceu quando o astrofísico e doutorando Filipe Andrade, de 27 anos, começou a analisar, em abril de 2018, os dados recém obtidos do satélite Gaia, enviado ao espaço pela Agência Espacial Europeia em 2013. 

“Comecei a observar o movimento de um aglomerado que já havia estudado para o mestrado (NGC 5999). Em um dado momento, percebi que havia algo diferente”, lembra Filipe, sem esconder o entusiasmo.

Ao notar a presença de mais três grupos de estrelas com movimentos semelhantes, característica típica dos aglomerados, a sensação foi de espanto. Filipe se debruçou na literatura científica, buscou catálogos, revirou bancos de dados da astrofísica, mas não conseguiu informações sobre o que ele apelidou de “carinhas”. 

“Fiquei olhando por um tempo e pensando comigo mesmo: não é possível que ninguém tenha descoberto”, relatou. 

Inconformado e surpreso, ele não titubeou e mandou uma mensagem a um dos orientadores. “Acho que descobri uns carinhas novos”, escreveu ele pelo WhatsApp ao professor Wagner Corradi.

Batizado

Do outro lado da tela, Corradi tentava entender como o doutorando havia chegado a essa conclusão. Convocou reuniões com ele, outros docentes e ex-alunos. Juntos, por meses estudaram quais eram esses “objetos”. Também em equipe decidiram dar o nome da universidade aos aglomerados de estrelas.

“É a nossa casa. Oferece toda estrutura para pesquisa e, por isso, queríamos mostrar que aqui há um grupo de astrofísica bom de serviço e trabalhando para manter o nome da universidade nos céus para sempre”, disse o professor.

De acordo com Corradi, se não fossem os fomentos na pesquisa e nas bolsas ofertadas, feitos como esse seriam bem mais difíceis. Porém, o professor afirma que mais recursos são bem-vindos. “A diferença do Brasil para os outros países não está na qualidade. Mas, sim, no investimento oferecido. Não conseguimos fazer no mesmo volume que os outros”, disse.

De olho no céu

O prestígio obtido com a descoberta, publicada na edição deste mês da revista científica inglesa Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, baliza a ciência feita pelos acadêmicos mineiros. Segundo Filipe, o homem que notou os “carinhas” ainda não conhecidos pelos terráqueos, a ideia é localizar outros astros ainda desconhecidos.

“A publicação do artigo mostra que nossa técnica para descobrir aglomerados em áreas densas foi bem sucedida. Isso, com certeza, vai nos trazer uma boa referência para os estudos que já estão sendo continuados”, disse o doutorando.