Crescem os atendimentos a crianças com queimaduras no Hospital de Pronto-Socorro (HPS) João XXIII, em Belo Horizonte. De janeiro a setembro deste ano, 292 menores de 12 anos deram entrada na unidade, referência nesse tipo de assistência. O número é 14% maior se comparado aos 256 casos registrados no mesmo período de 2017.

Acidentes domésticos estão entre as principais causas dos ferimentos. Há relatos de vítimas que tiveram contato com panelas quentes, churrasqueiras, velas e fósforos. O alerta para a prevenção é reforçado nesta época quando estudantes estarão em casa por conta do recesso do Dia das Crianças. 

Não deixar os filhos sozinhos e orientar sobre manuseio correto de equipamentos como microondas, por exemplo, são essenciais para evitar tragédias, afirmam especialistas. “Os casos ocorrem, principalmente, na cozinha e com líquido quente. Eles podem pegar uma panela ou brincar com álcool e tem o corpo queimado. Ocorrências envolvendo churrasqueiras também se destacam, e já recebemos três que se queimaram com velas”, conta o diretor-geral do HPS, Silvio Grandinetti.

O perigo, no entanto, não está apenas dentro da residência e tende a ser ainda maior devido à curiosidade das crianças, como conta o gerente de projetos em tecnologia da informação, Rodrigo Tavares, de 39 anos. Em janeiro deste ano, o filho dele, Rafael Lima Tavares, de 3, se machucou ao tocar em uma lâmpada incandescente em uma loja de produtos elétricos.

“Estávamos saindo de lá quando ele queimou a palma da mão inteira bem na entrada do estabelecimento”, lembra o pai. O tratamento, com pomadas e a troca de curativos, durou mais de 15 dias. “Ele não ficou com nenhuma marca, mas o susto foi grande”. 

Acidentes domésticos estão entre as principais causas dos ferimentos. Há relatos de vítimas que tiveram contato com panelas quentes, churrasqueiras, velas e fósforos

Assistência 

Segundo o professor Paulo Roberto Costa, do Departamento de Cirurgias da Faculdade de Medicina da UFMG, o tratamento pode ser mais complicado quando as queimaduras atingem mãos, rosto e órgãos genitais, áreas mais suscetíveis a infecções.

O médico diz que o organismo das pessoas mais novas não é “maduro” o suficiente para combater as bactérias. Com a pele danificada, há perda da proteção das células do corpo. Em casos mais graves, as complicações podem levar à morte.

Assistência adequada e socorro imediato são essenciais para a recuperação, frisa o docente da UFMG. “As vias aéreas também demandam atenção. Nas ocorrências de incêndios, por exemplo, as crianças podem respirar um ar aquecido, ocasionando insuficiência respiratória”, acrescentou.

O tratamento de um paciente com queimaduras chega a R$ 2 mil por dia, informou o HPS; no montante estão incluídos os medicamentos e insumos

Prevenção

Além de cuidado redobrado com panelas no fogo e líquidos quentes, o tenente Pedro Aihara, do Corpo de Bombeiros, reforça a necessidade de atenção com produtos químicos. Ele diz ter casos em que, após o uso de um material de limpeza à base de ácido na casa, a criança, por curiosidade e atraída pelo cheiro, acabou se queimando. 

Microondas e forno elétrico podem causar a falsa sensação de segurança, uma vez que não colocam as pessoas em contato direto com o fogo. “No caso do primeiro equipamento, explicar o tempo máximo para ferver uma água, os perigos de esquentar algum alimento em embalagens metálicas, por exemplo”, pontuou o militar.