O uso indiscriminado do álcool líquido diante da pandemia de coronavírus pode agravar a situação da saúde pública e causar graves queimaduras, e os atendimentos na Unidade de Queimados do Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, referência neste tipo de tratamento, já começam a aumentar. 

Enquanto em todo o mês de janeiro deste ano foram registrados 84 atendimentos a pacientes com queimaduras por líquido livre e, em fevereiro, 83, o mês de março, que ainda nem acabou, já teve 94 registros (dados entre 1° e 19 de março). 

A coordenadora da Unidade de Queimados do João XXIII, Kelly Araújo, demonstra preocupação em relação à sobrecarga da unidade diante do possível aumento de casos: "O número pode aumentar ainda mais, pois o uso indiscriminado do álcool líquido domiciliarmente não era habitual e, agora, se tornou. As pessoas estão passando no corpo, comprando em grande quantidade, todos têm acesso a frascos de álcool em casa, inclusive crianças". 

Ela lembra que o uso do álcool, mesmo em gel, não é o mais recomendado no ambiente domiciliar.  "Neste momento não precisa de álcool dentro de casa, porque ali, as pessoas podem lavar as mãos com água e sabão e a limpeza da casa pode ser feita com solução de água e alvejante. O álcool deve ser utilizado para higienizar as mãos quando a pessoa está fora e não tem como lavar com água e sabão", explica. 

Além disso, o álcool líquido 90% é, sequer, indicado como forma de se proteger da contaminação, porque evapora muito rápido. 

Queimaduras por líquido livre são as mais comuns no João XXIII. Somente no ano passado, do total de 2127 atendimentos a queimados, 1304 foram por líquido livre. 

Superlotação

Atualmente, a Unidade de Queimados do João XXIII está com todos os seus leitos ocupados. Ao todo, são 32 leitos disponíveis, sendo nove no Centro de Terapia Intensiva para adultos e 23 de enfermaria, onde são atendidos adultos e crianças. O CTI pediátrico também é utilizado em caso de necessidade. Quando a demanda é alta, a Unidade acaba atendendo até 45 pessoas.

A preocupação é que o sistema fique ainda mais sobrecarregado com o aumento da demanda de queimados por álcool e, ao mesmo tempo, casos da Covid-19. 

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