Representantes da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e moradores da cidade poderão ter nesta sexta-feira (6) à noite a primeira oportunidade de discutir o polêmico projeto do Executivo denominado Nova BH. Na última reunião do Conselho Municipal de Políticas Urbanas (Compur), na semana passada, o projeto estava na pauta, mas uma confusão, que teve até presença da polícia, impediu o debate.

O presidente do Movimento das Associações de Moradores de Belo Horizonte (MAMBH), Fernando Santana, diz que a falta de transparência e da apresentação de um estudo de impacto ambiental e social nas discussões sobre o Nova BH poderá atrapalhar os planos da prefeitura de tentar renovar a cara da cidade.

O projeto propõe melhorias em quase 25 km² da cidade, nas regiões do corredor Antônio Carlos, Pedro I e do corredor Leste-Oeste, que inclui as avenidas dos Andradas, Teresa Cristina e a Via Expressa. Fernando garante levar uma pauta de dúvidas para ser debatida na audiência pública de sexta, das 19h às 22h, no ginásio do colégio Marconi, no bairro Gutierrez, na região Oeste da capital.

“Nossa preocupação é saber como serão feitas as intervenções, qual será o impacto no dia a dia dos moradores das áreas atingidas, como foi definido as obras em cada região e de que maneira ocorreu a contratação das empresas que fizeram o projeto”, explica ele.

O presidente destaca que a população não é contra o desenvolvimento da cidade, mas é preciso clareza e um plano de comunicação eficaz.

Donos de lojas ao longo da avenida Tereza Cristina afirmam desconhecer a proposta. Mesmo sem saber das futuras mudanças, nas portas de vários estabelecimentos os empresários afixaram cartazes de “luto” protestando contra as ações do município. “Nossos clientes não podem estacionar na porta da loja, imagina se houver mais mudanças”, reclama o empresário Júlio César.

Para discutir com a prefeitura, eles estão criando a Associação dos Comerciantes da Tereza Cristina. O empresário Fernando Farias Sifuentes Machado, candidato a presidente da entidade, garante que sequer ouviu falar do Nova BH. “Vou nessa audiência e quero saber porque não nos convocaram”, diz.

O gerente de Projetos Urbanos Especiais da PBH, Ricardo Cordeiro, que vai conduzir a audiência, promete ouvir todas as dúvidas da população. Ele destaca que vai apresentar o plano urbanístico e o estudo de vizinhança que engloba o impacto ambiental e social a partir da ocupação e da renovação imobiliária nos eixos das avenidas.