Trinta e três pessoas que trabalhavam em condição análoga a de escravo numa fazenda de carvão em Ninheira, no Norte de Minas Gerais, foram resgatadas por auditores-fiscais da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia em Minas Gerais.

De acordo com a secretaria, 23 dos trabalhadores eram empregados da fazenda e dez trabalhavam no local colhendo folhas de eucalipto para uma propriedade vizinha, produtora de óleo vegetal. A ação começou em 24 de abril e terminou em 1º de maio e contou com apoio do Ministério Público do Trabalho e da Polícia Rodoviária Federal.

Foram necessários vários dias para concluir o resgate porque os auditores tiveram de realizar um trabalho de busca. Segundo a secretaria, enquanto a fiscalização realizava a identificação dos trabalhadores em uma primeira carvoaria, um motoqueiro saiu em direção a uma segunda carvoaria e mandou que os funcionários da fazenda se escondessem na mata. Aos poucos, os trabalhadores foram sendo resgatados e começaram a relatar as condições de trabalho e moradia no local.

Apenas três trabalhadores da fazenda tinham a carteira de trabalho assinada e recebiam o salário regularmente. Os demais eram empregados informais, pagos a cada cinco semanas sem recibo. Nenhum deles possuía equipamentos de proteção individual para realizar as atividades, e nas frentes de trabalho não havia acesso a instalações sanitárias, água potável e local adequado para fazer as refeições. As necessidades fisiológicas eram feitas no mato e a comida, levada de casa, era consumida no chão.

Um dos alojamentos ficava próximo à carvoaria e tinha dois quartos e um banheiro com chuveiro que não funcionava. No entanto, como havia uma mulher entre os trabalhadores, os homens deixavam o banheiro para ela e recorriam à mata. Ninguém tomava banho no local, de acordo com os auditores.

Os 33 resgatados foram retirados da atividade laboral e tiveram emitidos os requerimentos de Seguro-Desemprego especial para resgatado. As verbas rescisórias a serem pagas chegam a R$ 100 mil.