No radar da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) desde 2012 e testada em áreas do Rio de Janeiro há cerca de dois anos, a wolbachia, bactéria capaz de infectar o Aedes aegypti e, com isso, reduzir a transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya, deve começar a ser usada também em Belo Horizonte neste ano. 

A nova “arma” é esperança contra surtos de doenças tropicais, como a dengue. Em Minas, só de janeiro a março, já são 81.456 mil casos prováveis, mais que o dobro da soma das ocorrências em 2017 e 2018. Isso significa que em apenas três meses do ano o número de ocorrências já supera toda a estatística dos dois anos anteriores.

Segundo o coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Dengue e professor do Departamento de Bioquímica e Imunologia da UFMG, Mauro Teixeira, a wolbachia é uma das estratégias mais avançadas de controle vetorial. O método consiste na inoculação da bactéria no ovo do mosquito. Na fase adulta os insetos são liberados. A substituição da população é gradual, a partir da transmissão da bactéria – que tem a capacidade de fazer com que o inseto não transmita doenças – pela fêmea a seus filhotes. 

“Estamos em um momento de muito estudo, de avanços significativos. Mas desenvolver uma vacina demora cerca de 15 anos, não é de um dia para o outro. Esperamos poder testar a wolbachia em BH em breve”, explica o professor da UFMG. O especialista afirma não haver risco de infecção para os humanos.

Só de janeiro a março de 2019 já são 81 mil casos prováveis em Minas Gerais. O número é mais que o dobro dos registros somados dos últimos dois anos. Além do surto de dengue, o Estado já registrou neste ano 966 casos prováveis de chikungunya. Já com relação à zika, são 319 pacientes possivelmente infectados, sendo 85 grávidas


Alternativa

Além das pesquisas com a wolbachia, a imunização desenvolvida pelo Instituto Butantan está na última fase de testes em humanos. “Há possibilidade real de que seja útil, diferentemente da vacina atual, que é pouco eficaz”, ressalta o especialista da UFMG.

A redatora Ágatha Silva, de 31 anos, considera que ainda há muitos dificultadores de acesso à vacina atualmente disponível, vez que, conforme a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a proteção só pode ser utilizada para evitar um segundo quadro da doença.

“Além disso, a dose não é disponibilizada no SUS (Sistema Único de Saúde) e é muito cara em clínicas particulares, não sendo acessível a todos. E ainda tem a faixa etária de restrição”, reclama.

Além do pai, do irmão e do cunhado, Ágatha teve dengue. Moradores da Vila Cristina, em Betim, na Grande BH, passaram dias com dores pelo corpo. 

Novas terapias para a dengue serão discutidas durante congresso a ser realizado pela Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, em julho, na capital mineira


Sobre o tratamento contra a doença, há poucas novidades. A principal recomendação é procurar imediatamente o serviço de saúde. Para aliviar os sintomas, febre alta, dores de cabeça e manchas no corpo, alguns medicamentos podem ajudar. Hidratação também é essencial.

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