Pense rápido e responda: o que lhe vem à memória quando alguém fala do bairro Palmital? Não raro, quem conhece ou já ouviu falar desse conjunto habitacional de Santa Luzia, na Grande BH, terá por lembrança insegurança, tráfico de drogas e até assassinatos. Para jogar por terra o banalizado estigma de violência, jovens da comunidade produziram um documentário sobre a história e manifestações culturais da região.

O curta “Palmital: tradição e contemporaneidade”, de exatos 23 minutos, narra os primórdios da antiga fazenda, fundada em 1979, até os dias atuais. A proposta surgiu da Associação de Ideias Ambientais e Ações Socioculturais, que foi contemplada ano passado com uma verba federal do Ministério da Cultura para a elaboração do projeto.

Pesquisa, roteiro, filmagem e edição foram feitos por dez jovens que moram no bairro e, segundo a associação, vivem em situação de “grande vulnerabilidade social”. Após passar por um treinamento, eles tiveram seis meses para produzir o vídeo, que está disponível na internet.

Vários depoimentos foram coletados para resgatar a memória do Palmital. Dentre eles, está o da cientista social Rejane de Oliveira Nazário. Quando criança, ela se mudou para a região, onde ficou até se casar. “Muitos vieram após uma enchente ocorrida em Belo Horizonte no início da década de 1980, que inundou várias casas próximas ao ribeirão Arrudas”, conta. Na época, eram cerca de 4 mil famílias. Hoje são mais de 50 mil.

 

NOME

Estereotipado também como “Caldeirão do Diabo”, o local foi oficialmente batizado Maria Antonieta Melo Azevedo. Mas ganhou o nome atual por ter sido conhecido, nas décadas passadas, como ponto de encontro para os que saíam da capital em busca de palmitos existentes na antiga fazenda.

Aos 16 anos, Josélito Júnior integra a equipe de jovens produtores do documentário. “Eu era o responsável pelas filmagens”, orgulha-se o garoto. Para ele, as principais imagens geradas são as das manifestações culturais típicas, como as apresentações de hip hop, soul e capoeira. A experiência, conta o rapaz, serviu também para iniciar a busca por um novo sonho. “Gostei muito e pretendo trabalhar como cinegrafista”, acrescenta.

Conforme o educador Gibran Muller, um dos gestores da Associação de Ideias Ambientais e Ações Socioculturais, cerca de 500 cópias foram distribuídas a moradores e instituições públicas e privadas. “Foi um dos mais belos trabalhos que já realizamos. Infelizmente, o Palmital sempre foi sinônimo de lugar perigoso e de criminalidade. Mas nosso objetivo era justamente o contrário: mostrar que a maioria absoluta de moradores é de pessoas de bem, que ganham a vida honestamente e ajudam a construir a história do bairro”.

 

Bairro de Santa Luzia ganha destaque em vídeo produzido por jovens da região