O rigor na fiscalização da Lei Seca com operações diárias em Belo Horizonte ganha as ruas, esvazia bares e causa apre-ensão aos donos desses estabelecimentos. Para conter prejuízos no faturamento com a possível queda nas vendas de bebidas alcoólicas, empresários do setor procuram alternativas para garantir ao cliente uma volta para casa mais segura e barata.

A BHTrans recebeu nesta terça-feira (17) o primeiro pedido formal de uma entidade de classe para a implantação de convênios com taxistas da capital. A proposta foi protocolada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, regional Minas Gerais (Abrasel-MG). A ideia é criar pontos estratégicos de corridas que tenham como destino ou origem cervejarias, botecos e casas noturnas. Os preços também seriam reduzidos, com valor único por pessoa.
 
“Seria uma espécie de táxi-lotação em regiões da cidade que concentram bares e restaurantes”, disse o vice-presidente da entidade Matusalém Gonzaga. Pelo menos cinco vias poderiam contar com o sistema, conforme levantamento feito pela Abrasel: as avenidas Fleming e Guarapari (Pampulha), General Olímpio Mourão Filho (Planalto) e ruas Pium-í (Anchieta/Sion) e São Paulo (Lourdes).
 
O Sindicato dos Taxistas de Belo Horizonte (Sincavir), que representa cerca de seis mil profissionais, rejeita qualquer alteração no preço das tarifas e da bandeirada. Para o presidente da entidade, Dirceu Efigênio Reis, os motoristas não podem arcar com possíveis custos de um convênio. “Desde o início da Lei Seca temos tido a mesma posição. Não vamos aceitar diminuir os valores cobrados”, afirmou.
 
De acordo com Reis, o sindicato está aberto ao diálogo no que diz respeito à criação de rotas e pontos alternativos próximos aos estabelecimentos comerciais. “Podemos negociar, desde que haja a participação da BHTrans e outros órgãos públicos e formas de facilitar esse deslocamento dos clientes”, observou.