MARIANA – Ainda faltam pelo menos dois anos para que as águas dos rios do Carmo e Gualaxo voltem a ter a coloração normal, ou seja, o nível de turbidez ideal. Eles banham Barra Longa, na região Central de Minas, município mais afetado pelo rejeito de minério que vazou da represa de Fundão, da Samarco. Aos poucos, os 6 mil moradores passam a contar com a mesma estrutura urbana que tinham antes da passagem da avalanche de lama. 

A maior tragédia ambiental do Brasil, que deixou 18 mortos e uma pessoa desaparecida, está prestes a completar um ano. Ontem, ao apresentar o balanço de reconstrução de Barra Longa, o engenheiro Cláudio Siqueira, representante da Samarco que coordena as obras na cidade desde novembro de 2015, foi bem otimista. “Nosso prazo para conclusão é de 30 meses, ou seja, segundo semestre de 2018. Mas queremos antecipar em um ano”.

A mineradora já investiu R$ 140 milhões na recuperação do município, que teve toda a parte baixa tomada pelo mar de rejeito. A praça Manoel Lino Mol e a avenida Beira-Rio já estão totalmente limpas. Das 111 casas danificadas, 93 foram reformadas ou reconstruídas. “Definimos com os proprietários o que eles querem que seja feito e buscamos atender as mesmas condições das fachadas. Nosso objetivo é retomar o que era anterior ao rompimento da barragem”, diz Siqueira. Ele ressalta que ainda há desabrigados morando em imóveis alugados.

Barra Longa

HOJE – Limpeza já foi concluída; investimentos da Samarco chegam a R$ 140 milhões

Trinta dos 36 estabelecimentos comerciais atingidos estão reformados. As fachadas de 185 imóveis foram pintadas. Segundo o engenheiro, foram refeitos 10 mil metros quadrados de pavimentação. Está em andamento a reconstrução do campo de futebol e do parque de exposições. A cidade virou um canteiro de obras. Cerca de 550 operários fazem parte do mutirão.

Paralelo à recomposição dos imóveis, são feitas obras de contenção das encostas do rio do Carmo. Também é feito o tratamento de afluentes, incluindo do Gualaxo. “Até dezembro, serão colocados 30 mil metros cúbicos de pedras para proteção das margens dos rios”, afirma Siqueira. Na zona rural, 21 currais e mata-burros foram recuperados.

Abastecimento

O engenheiro diz que, conforme acordo com os governos federal, de Minas e do Espírito Santo, a Samarco tem três anos para que volte o nível de turbidez ideal dos rios Gualaxo e do Carmo. Ele garante que o abastecimento de Barra Longa não foi afetado, uma vez que a captação é feita em outros cursos d’água da região.

Barra Longa
OTIMISMO – Obras na cidade devem durar 30 meses, mas a Samarco acredita que a conclusão deve ser antecipada


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