O Ministério Público Federal em Pouso Alegre, no Sul de Minas, vai inspecionar a barragem de rejeitos da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Caldas, na mesma região, nesta quinta-feira (4). 

Essa barragem contém material radioativo resultante da primeira mina de urânio explorada no Brasil. A exploração durou de 1982 a 1995 e foi encerrada sob o argumento de que as atividades eram economicamente inviáveis.

Mesmo após o fim da mineração, o empreendimento possui uma fábrica de beneficiamento de minério desativada, dezenas de equipamentos, e a barragem, com milhares de toneladas de rejeitos contendo urânio, tório e rádio.

Segundo o MPF, a empresa não cumpriu as recomendações feitas pelo órgão e não entregou cópias do plano de emergência para as autoridades e órgãos públicos da cidade, além de não ter realizado treinamentos internos e simulados de situações de emergência para os moradores da zona de autossalvamento (ZAS).

Ainda conforme o MPF, em setembro do ano passado, a INB constatou um "evento não usual" na barragem da UTM-Caldas, que consistiu na turvação e redução do fluxo da água na saída do sistema extravasor da estrutura. 

Após o problema, teve início uma investigação com a coleta de amostras especiais e a intensificação das inspeções de campo e leitura da instrumentação da barragem.

Transparência

O MPF havia recomendado que a INB e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) fizessem uma ampla divulgação nas comunidades a serem diretamente afetadas por eventual rompimento da barragem, sobre os riscos a que estão expostas. Mas, o documento entregue pela empresa demonstra que não foram estabelecidas, em conjunto com a Defesa Civil, estratégias de alerta, comunicação e orientação à população potencialmente afetada sobre procedimentos a serem adotados em situações de emergência.

A INB também não comprovou a instalação de sistemas de alarme, contemplando sirenes e outros mecanismos de alerta adequados. Após análise dos documentos, o MPF decidiu fazer vistoria no local, para verificar as condições da barragem e planejar novas medidas, judiciais ou não, em face dos responsáveis pela estrutura.

A reportagem do Hoje em Dia aguarda uma posição da INB.

*Com informações do MPF