Até parece história de pescador. Mas, na verdade, aconteceu na barragem Santa Lúcia, na zona Sul de Belo Horizonte. Em sete horas, apenas um grupo de moradores do aglomerado vizinho retirou da represa mais de 100 quilos de peixes.

A barragem começou a ser esvaziada no fim de abril, para obras de desassoreamento. Com a água batendo na canela, ela passou a ser “invadida” por pescadores desde segunda-feira.

Às 18h30 de terça-feira, o comerciante Agnaldo Aniceto da Silva, de 42 anos, e quatro amigos dele não se intimidaram com a água fria e entraram na barragem munidos de redes. A pescaria terminou por volta de 1h30 de quarta.

“Pegamos mais de 40 traíras e duas carpas grandes, além de muitas tilápias. Foram mais de cem quilos de peixe. Tivemos de usar um carrinho de supermercado para carregar”, contou Agnaldo.

Como troféu, o comerciante exibia uma carpa de 9,5 quilos e 80 centímetros, o maior peixe retirado da represa. O feito rendeu a Agnaldo o título de “rei da pescaria” na barragem Santa Lúcia. “Já dei peixe para os outros, vendi e tem gente telefonando para pedir. A notícia foi parar na internet”, brincou.

Na tarde de quarta-feira, Carlos Roberto Gomes da Silva, de 19 anos, tentava fisgar o pescado no anzol. “Ainda tem muito peixe aí dentro, mas é mais fácil pegar com rede”, disse.

Apesar de já ter lotado o congelador da casa onde mora, com vista para a barragem, Agnaldo pretendia entrar novamente na represa. “É uma distração. Além disso, se a gente deixar os peixes lá, eles vão morrer por causa da falta d’água”.


Consumo impróprio

Responsável pela administração do Parque Jornalista Eduardo Couri, do qual a barragem faz parte, a Fundação de Parques Municipais informou que os peixes são impróprios para o consumo.

Embora não tenha feito análises na água e nos peixes, a fundação reconhece a possibilidade de contaminação por esgoto. Segundo a assessoria, foram colocadas placas alertando sobre a proibição da pesca, mas elas foram retiradas.

O alerta, no entanto, foi negado por pescadores e moradores do aglomerado. “Nada foi avisado sobre a contaminação”, afirma o ajudante-geral Flaviano Mesquita, de 46 anos.

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