A.O., de 15 anos, bebe e fuma diariamente. O primeiro gole foi aos 11 anos, na adega dentro de casa, sem o conhecimento dos pais. “Hoje, eles sabem. Já bebi ao ponto de me carregarem para casa”, afirma.

A estudante faz parte dos 76,3% dos adolescentes, entre 13 e 15 anos, de Belo Horizonte, que já experimentaram bebidas alcoólicas. O índice é o quarto maior entre as capitais do país.

Além do consumo precoce, as meninas (81%) estão bebendo mais que os meninos (73%). Do total, 27% dos adolescentes confessaram já ter ficado bêbados. Esse, entre outros dados comportamentais, são resultado de uma pesquisa divulgada, na última quarta-feira (19), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Comportamento

A capital mineira não fica atrás também quando o assunto é o uso do cigarro. Ao todo, 20,7% dos adolescentes belo-horizontinos já fumaram alguma vez, média superior à nacional, que é de 19,6%. Outro hábito preocupante é que 9,9% desses adolescentes usaram algum tipo de droga e 27,1% já iniciaram a vida sexual.

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense) 2012 questionou, usando smartphones, mais de 100 mil alunos, de escolas públicas e privadas em todas as capitais brasileiras, entre abril e setembro do ano passado. Em Belo Horizonte foram entrevistados 2.754 estudantes de 68 escolas.

Os jovens responderam perguntas sobre o contexto familiar, hábitos alimentares, experimentação de tabaco, álcool e drogas, vida sexual, violência, dentre outros.


Consequência

Para o sociólogo Rudá Ricci, há uma mudança do cenário da família. Ele diz que o tempo de convívio de pais e filhos se limita a uma hora e meia por dia. “O trabalho toma o tempo. Essa ausência afeta a formação dos adolescentes. Estão abandonados à própria sorte”, diz.

Dados da pesquisa reforçam a fala do especialista: na capital mineira, 35% dos pais não sabem o que os filhos estão fazendo.

Hábitos que podem afastar os adolescentes de condutas de risco também são deixados de lado, como conversar com os filhos. Quase 40% dos adolescentes não se sentam à mesa junto com os responsáveis durante as refeições. Além disso, 27,4% dos pais não verificam os deveres de casa dos jovens e só 4,9% mexem nas coisas dos filhos.