"E não há quem ponha um ponto final na história", disse Conceição Evaristo. Essa e outras frases da escritora mineira foram grafadas nas provas da edição de 2018 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Seguindo a tradição do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que elege uma personalidade ou um tema para as frases a cada ano, Evaristo foi a grande homenageada deste ano.

Uma das responsabilidades do participante no Enem é transcrever a frase apresentada na capa do Caderno de Questões para o Cartão-Resposta. Cada tipo de prova – são quatro cores diferentes, além das provas acessíveis – tem uma frase diferente. Neste ano, todas foram de Evaristo, que, aos 71 anos, é considerada a principal escritora negra brasileira da atualidade.

Nascida em 1946, em uma favela de Belo Horizonte, Conceição Evaristo concluiu o "curso normal" aos 25 anos e mudou-se para o Rio de Janeiro. Formada em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é mestre em literatura brasileira pela PUC-RJ e doutora em literatura comparada pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Em 2003, publicou seu primeiro romance, "Ponciá Vivêncio". É autora ainda de "Becos da Memória" e "Insubmissas Lágrimas de Mulheres". 

Homenageada pela Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), no Rio de Janeiro, neste ano, Evaristou ganhou ganhar coragem para se candidatar a uma vaga na Academia Brasileira de Letras (ABL). No mês passado, o Hoje em Dia fez uma entrevista com a escritora, que contou sobre suas principais conquistas e desafios. "Ainda somos tratados como uma minoria. Não na questão quantitativa, mas em relação ao poder. Ainda precisamos lutar por maior representatividade. Ainda não temos a força e os canais que os grupos privilegiados detêm", disse com relação às mulheres negras na literatura.

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