Tomar café da manhã saboreando morangos frescos, recém-colhidos. No almoço, preparar um mix de folhas com tomate-cereja e, à noite, um jantar especial com temperos e ervas do quintal. Tal rotina gastronômica, semelhante à vida na roça, tem sido cada vez comum nas casas e apartamentos dos mineiros. As hortas caseiras, além de darem um toque bucólico ao ambiente, garantem uma alimentação bem mais saudável.

O casal Maria Estela e Lineu de Andrade, de 64 e 65 anos, colhe os frutos – e as verduras – de ter a própria horta, instalada há cerca de um ano na área privativa do apartamento, no bairro Santo Antônio, zona Sul de BH.

Próximo ao jardim vertical de orquídeas, eles plantam alecrim, tomilho, manjericão, sálvia e cebolinha. Há também um pé carregado de tomate-cereja e outro canteiro de morangos: foram pedidos das netas, de 5 e 7 anos, que não veem a hora de comê-los.

“Sempre fomos cuidadosos em ter uma alimentação livre de agrotóxicos, mas, com a horta, ganhamos muito mais qualidade nas refeições”, conta Lineu, agradecido com a criatividade que a esposa adquiriu na cozinha, nos últimos meses.

Agora, ela prepara pratos gourmet com as ervas que colhe na varanda; os preferidos dele são os que levam cogumelos. “Os nossos temperos dão o toque que nos deixam apaixonados pelo sabor”, observa Lineu.

Saúde

A plantação deles foi projetada pela Dona Horta, empresa que planeja e executa hortas em residências e escolas. Uma das proprietárias, Márcia Solange Fantini, garante que qualquer um pode plantar frutas, verduras e legumes em casa, bastando ter um cantinho onde bata sol algumas horas por dia.

Segundo ela, a preferência dos mineiros é pelas ervas para tempero, mas, se a família tiver crianças, o tomatinho e as frutas silvestres não podem ficar de fora. “Ter uma horta em casa aproxima os pequenos de uma alimentação mais saudável”, afirma.

Para a nutricionista Carla Pereira, é bom mesmo começar desde cedo a consumir mais produtos livres de agrotóxicos. Usados para deixar os alimentos mais bonitos para a venda, em longo prazo podem causar sérias doenças ao organismo, que não consegue eliminar todas essas toxinas. 

“Com a ingestão correta de frutas, verduras e legumes, você consegue todos os nutrientes essenciais ao corpo. Isso garante benefícios como melhora do condicionamento físico, humor, intestino, pele e cabelos, além de nos dar mais disposição para as atividades diárias”, explica.

Plantio com qualidade e sem adubo artificial

Aprender a respeitar e ser grato à natureza e ter mais equilíbrio físico e emocional. São essas as premissas dos adeptos da chamada Agricultura Natural. A técnica japonesa é difundida no Brasil, desde 1982, pela Fundação Mokiti Okada (FMO).

Representante da FMO em Minas, Laerte Suzuki considera que alimentos verdadeiramente naturais são cultivados na terra livre de adubos artificiais, recebendo apenas materiais resultantes da compostagem de outros alimentos. “O plantio é baseado na lei da natureza, que por si só tem força para se equilibrar”.

Ele pratica a horta caseira há 15 anos e, na hora do almoço, na casa onde mora em Lagoa Santa, na Grande Belo Horizonte, garante para a família uma mesa farta de alimentos naturais: couve, tomate, alface, manjericão, cebolinha...

“Nos tornamos pessoas melhores cultivando a terra dessa forma e a natureza nos ensina a respeitar o tempo dela. Além disso, ganhamos mais saúde”, conta Laerte, cuja família não costuma ficar doente por muito tempo, graças à alimentação natural.

Cursos

A FMO (3292.2036) oferece, em BH, cursos mensais gratuitos de produção de horta caseira. Há também opções pagas de aprofundamento para pessoas físicas ou empresas, além de um curso on-line.

A aposentada Maria Auxiliadora Pacheco, de 67 anos, fez o curso. Ela aprendeu a cultivar a terra da forma mais pura possível e planta, em vasinhos na área de serviço do apartamento, couve, tomate, manjericão e rúcula.

“Dou ao meu corpo uma energia diferente. Passei a ver a natureza com mais alegria, amor e gratidão”, revela.