A extinta cidade de Bento Rodrigues, distante cerca de 24 quilômetros de Mariana, na Região Central do Estado, poderá ser tombada e se tornar um sítio de memória sensível. Esta é a intenção de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que elaborou um dossiê sobre a localidade. 

O município foi praticamente varrido pela lama de rejeitos da Samarco no dia 5 de novembro de 2015, quando a barragem Fundão se rompeu. Agora, o objetivo é usar a memória do povoado para compreender a ideia de crime ambiental no Brasil.

Nos últimos três anos, ​cerca de 30 pesquisadores, entre alunos de mestrado e de doutorado de diferentes cursos da UFMG, fizeram pesquisas e produziram um dossiê que irá contribuir para o tombamento de Bento Rodrigues como sítio de memória sensível. 

​Segundo o professor Leonardo Castriota, que coordena o trabalho e preside o Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), o valor de um patrimônio foi atrelado, durante muito tempo, apenas à sua materialidade e a situações vitoriosas ou felizes, mas também é importante preservar as memórias dolorosas decorrentes de acontecimentos traumáticos.  

O documento, elaborado em conjunto com a população, reúne mais de 400 páginas com fotos, depoimentos, dados e análises realizadas pelos autores, e foi entregue ao Ministério Público de Minas Gerais no mês passado. 

Fonte: UFMG

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