A nova etapa da flexibilização, que entra em vigor hoje em Belo Horizonte, permite – somados os profissionais dos serviços essenciais e os da primeira fase da reabertura do comércio – que 824 mil pessoas saiam às ruas para trabalhar. Apesar do contingente, que representa 92% dos empregados na metrópole, a prefeitura reforça que o isolamento social deve ser seguido à risca, para evitar o aumento da transmissão da Covid-19.

E esse é o principal desafio da cidade: manter o funcionamento parcial das atividades econômicas junto com a quarentena. O afrouxamento das rígidas medidas que impediam a abertura das lojas, conforme especialistas, não significa que a vida voltou ao normal. 

Pelo contrário, as regras sanitárias, como o uso de máscara e o distanciamento social, nunca foram tão importantes como agora. “Além disso, só se deve sair de casa quando necessário”, reforça o infectologista Unaí Tupynambás, que integra o Comitê de Combate à Covid na capital mineira. 

Secretário Municipal de Saúde, Jackson Machado enfatiza que flexibilizar significa uma exposição maior ao vírus. Por isso, para que a cidade não regrida e volte a fechar o comércio – ou decrete um lockdown (bloqueio total) – a população vai ter que manter o isolamento social. “Esses cuidados devem ser incorporados à nossa vida. Provavelmente, vamos passar anos tomando esses cuidados”, disse.

Flexibilização

Nesta segunda-feira, 11 setores comerciais voltam a funcionar e, com eles, mais 15 mil moradores que estavam em casa desde o dia 20 de março retornam ao trabalho. A medida foi tomada em meio ao avanço do novo coronavírus na cidade e após forte pressão dos empresários. 

A PBH garante que se baseou em critérios técnicos e bem planejados para afrouxar as regras. “Preservação da vida com o menor impacto possível da economia”, definiu Machado na última sexta-feira, durante o anúncio da flexibilização.

Nos ônibus

Além do aumento da população circulando nas ruas, a metrópole vê crescer a quantidade de veículos transitando. Somente no transporte público, são cerca de 15,2 mil viagens por dia. Para evitar que surtos da doença ocorram no trajeto de casa para o trabalho, alguns cuidados têm que ser seguidos. “Não falar no ônibus, não cantar e não assoviar, porque isso vai aumentar a transmissão”, ensinou o médico e professor da UFMG.

Por determinação do prefeito Alexandre Kalil (PSD), os coletivos que circulam pela capital devem oferecer álcool em gel aos passageiros. A falta do produto rende multa de R$ 539,50. Os ônibus devem também informar a distância de segurança a ser respeitada pelos usuários.

Coronavírus
Lojas de calçados têm autorização para funcionar a partir desta segunda-feira

Confira a lista do que pode funcionar a partir de hoje

11h às 19h
Artigos usados
Artigos esportivos, de camping e afins
Calçados
Artigos de viagem
Artigos de joalheria
Souvenirs, bijuterias e artesanatos
Plantas, flores e artigos para animais (exceto comércio de animais vivos)
Bebidas (sem consumo no local)
Instrumentos musicais e acessórios
Objetos de arte e decoração
Tabacaria, armamentos e lubrificantes

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