Um a cada 30 belo-horizontinos já testou positivo para Covid-19. Até o momento, 81.654 confirmações da doença foram feitas na capital – que hoje tem cerca de 2,5 milhões de habitantes. O número de infectados impressiona, principalmente pelos óbitos que traz a reboque: 2.165, até a última sexta-feira. Mas não chega a 3% da população e está bem aquém da “imunidade de rebanho” – quando parte significativa das pessoas já foi contaminada, o que ajuda no controle de determinadas doenças. 

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Na última sexta-feira, a taxa de ocupação dos leitos de terapia intensiva ficou abaixo de 80% pela primeira vez no ano em BH

 

Para enfermidades conhecidas, esse índice chega a 70%. No caso do novo coronavírus, esperar atingir tal meta sem a vacinação de toda a população é colocar os moradores em um alto risco, afirma o clínico geral Roberto Debski. 

Atuando na linha de frente no combate à pandemia, o médico diz que, ao mesmo tempo que mais pessoas vão sendo infectadas, até 2% da população pode morrer. “São números catastróficos. A gente não pode depender da imunidade de rebanho pelo contágio. Precisamos de uma estratégia de imunização massiva”.

Em Minas, a campanha de vacinação foi iniciada no dia 18. Nessa primeira fase, profissionais de saúde, índios que vivem em aldeias e idosos que estão em asilos integram o grupo prioritário. 

Até agora, o Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo, e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) conseguiram aprovação do uso emergencial de imunizantes pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Cenário

Na semana passada, a PBH informou que esse é o pior momento da pandemia na capital.

Presidente da Sociedade Mineira de Infectologia (SMI), Estevão Urbano acredita que a quantidade de infectados em BH seja de cinco a dez vezes maior. “São os casos mais leves, por exemplo. Isso acontece em todo o mundo, não só com o novo coronavírus”.

O médico do Hospital Madre Teresa afirma que ainda é preciso saber se, de fato, o coronavírus concede a imunidade de rebanho à população. “Se por acaso der, certamente por aqui não está dando, porque o número de doentes está aumentando consideravelmente”.

Ainda "desconhecido"

Apesar de o novo coronavírus ter surgido há pouco mais de um ano, na China, ainda existem questionamentos referentes a ele. Nem mesmo quem foi infectado deve abandonar as medidas de proteção. “É uma doença muito nova e ainda não sabemos ao certo sobre a imunidade em quem já foi contaminado”, frisa o clínico geral Roberto Debski. 

Este mês, o Brasil confirmou o primeiro caso de reinfecção da Covid-19 com variante do vírus. A paciente, uma baiana de 45 anos, testou positivo para a doença em maio e, depois, em outubro. Nos dois episódios, a mulher não apresentou evolução para quadros mais graves.

“Isolamento social, distanciamento, higienização das mãos e uso de máscaras continuam sendo essenciais, independentemente se a pessoa já foi ou não contaminada”, completa o especialista.

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