Se não houver uma medida de contenção para o avanço da Covid-19, Belo Horizonte poderá ter entre 50 mil e 90 mil pacientes com necessidade de internação hospitalar por volta do dia 25 de abril. Essa é a indicação de uma projeção matemática realizada por 15 pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Na capital mineira, há sete mil leitos, somadas as redes pública e privada.

No estudo “Projeções da evolução da Covid-19 em Belo Horizonte”, os pesquisadores verificaram que o isolamento social, que teve início na cidade no último dia 20, é a melhor maneira de se evitar o colapso no sistema de saúde em Belo Horizonte. Nesta segunda-feira (30), a Secretaria de Estado de Saúde informou que, dos 261 casos confirmados, 163 são de pacientes da capital. Uma morte foi confirmada e outras 23 estão sob investigação. 

Se as medidas de contenção forem mais intensas agora, o dia de maior necessidade de leitos para atender pacientes internados ao mesmo tempo, pelo mesmo motivo, ocorreria em setembro, quando cerca de 1,3 mil pacientes necessitariam de hospitalização, de acordo com o levantamento.

O isolamento social, neste momento, pode evitar que haja na capital mineira 500 mil casos da doença, entre assintomáticos e pacientes com agravamento da doença, de acordo com o estudo. Quanto mais brandas forem as medidas de contenção, maior será o número de pessoas expostas e infectadas pelo novo coronavírus na cidade.

Confira o cenário da Covid-19, em Belo Horizonte, conforme as projeções:

cenário covid-19 em BH

O estudo, claro, é uma projeção e o cenário pode se alterar nos próximos dias, a depender das ações da população e do poder público. “Para saber com precisão qual será o efeito das medidas de contenção sobre a taxa de transmissão da epidemia, será necessário observar seu efeito durante alguns dias", afirma o professor e pesquisador Ricardo Hiroshi Takahashi Caldeira, do Departamento de Matemática, que atua como coordenador do grupo de trabalho.

O modelo matemático foi construído a partir de parâmetros do comportamento do novo coronavírus na China. A situação no Brasil tende a ser diferente, pois ainda se está verificando como é o comportamento do vírus em nosso território, já que há questões ambientais, climáticas e culturais que influenciam no avanço da epidemia.

"Não sabemos qual será o valor da taxa de transmissão obtida com as medidas de contenção atualmente tomadas. Só será possível saber dentro de alguns dias, quando tivermos uma série de número de casos capaz de permitir a medição dessa taxa”, diz o professor.

Mesmo que indique a real necessidade de um isolamento social, o modelo matemático não permite prever, ainda, por quanto tempo vai durar a epidemia na cidade ou por quanto tempo devem ser mantidas as medidas de distanciamento social. 

Isolamento em todo o país

O estudo dos pesquisadores das universidades mineiras apresenta resultado em consonância com outro realizado por cientistas da Imperial College, de Londres. Conforme levantamento do instituto inglês, o isolamento social em todo o Brasil, neste momento, pode salvar mais de um milhão de vidas. Confira os cenários previstos pelo levantamento para o país:

Cenário 1 (sem medidas de mitigação)

População total: 212.559.409

População infectada: 187.799.806

Mortes: 1.152.283

Indivíduos com necessidade de hospitalização: 6.206.514

Indivíduos com necessidade de internação em UTI: 1.527.536

 

Cenário 2 (com distanciamento social de toda a população)

População infectada: 122.025.818

Mortes: 627.047

Indivíduos com necessidade de hospitalização: 3.496.359

Indivíduos com necessidade de UTI: 831.381

 

Cenário 3  (com distanciamento social e reforço do distanciamento dos idosos)

População infectada: 120.836.850

Mortes: 529.779

Indivíduos com necessidade de hospitalização: 3.222.096

Indivíduos com necessidade de UTI: 702.497

 

Cenário 4 (Com supressão tardia)

População infectada: 49.599.016

Mortes: 206.087

Indivíduos necessitando hospitalização: 1.182.457

Indivíduos necessitando UTI: 460.361

Demanda por hospitalização no pico da pandemia: 460.361

Demanda por leitos de UTI no pico da pandemia: 97.044

 

Cenário 5 (com supressão precoce)

População infectada: 11.457.197

Mortes: 44.212

Indivíduos necessitando hospitalização: 250.182

Indivíduos necessitando UTI: 57.423

Demanda por hospitalização no pico da pandemia: 72.398

Demanda por leitos de UTI no pico da pandemia: 15.432

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