Somente no primeiro semestre deste ano, 24 crimes de extorsão mediante sequestro ou sequestro e cárcere privado foram registrados em Belo Horizonte. Em Minas, foram contabilizados 146 registros no mesmo período. Mas apesar de o número de quatro sequestros por mês cometidos na capital mineira ser significativo, os dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp)  apontam para uma redução destes crimes no Estado e também em BH. 

No primeiro semestre do ano passado foram registrados 161 sequestros em Minas e 35 na capital mineira, o que significa uma redução de  9% e 31% respectivamente, nos seis primeiros meses de 2019. Já no primeiro semestre de 2017, foram 187 registros no Estado e 39 em BH.

Mas dois casos ocorridos recentemente chamam a atenção. Um deles aconteceu na última terça-feira (6) em Olímpio Noronha, no Sul de Minas, quando um grupo invadiu a casa de um gerente de banco e fez a sua família refém. Segundo a Polícia Militar, parte do grupo ficou com os reféns na casa e a outra parte levou a mulher do gerente para Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde ela foi mantida em cárcere privado até a noite dessa quarta-feira (7). 

Os suspeitos pediram uma quantia em dinheiro em troca da liberdade da vítima, mas a polícia descobriu o cativeiro a tempo e ela foi libertada no bairro Cruzeiro do Sul, ainda em Betim. Uma mulher de 46 anos, dona da casa no bairro Laranjeiras que serviu como cativeiro, foi presa. 

Sequestro de criança para extorquir R$ 300 mil foi coordenado da prisão 

O outro caso foi registrado em junho, mas só veio à tona nesta quinta-feira (8), quando a Polícia Civil convocou uma coletiva para dar detalhes sobre o caso. 

Segundo o subinspetor Éber Alexandre de Oliveira, da Delegacia Especializada Antissequestro, foram identificados seis responsáveis pelo sequestro de uma criança de 7 anos em Florestal, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, sendo dois adolescentes de 17 anos, dois homens de 19 e 33 anos e dois detentos de 35 e 32 anos, que cumprem pena na penitenciária Nelson Hungria.  

O sequestro aconteceu por volta de 8h do dia 16 de junho, quando dois dos suspeitos renderam a empregada da casa enquanto ela colocava o lixo para fora. O pai e a mãe da criança foram amarrados e ameaçados e a dupla saiu da casa levando o menino com destino a cidade de Pequi, distante cerca de 40 quilômetros da casa da família. 

Em Pequi, a casa de um dos detentos serviu de cativeiro, onde a criança passou cerca de 20 horas, sendo libertada por volta das 5h do dia seguinte. "Inicialmente, o grupo exigiu a quantia de R$ 300 mil da família, mas depois que entramos no caso e já havíamos identificado parte do grupo, acredito que eles tenham percebido nossa movimentação próximo ao cativeiro e acabaram libertando o menor", explica o subinspetor. 

Ele relata que a família não tem um elevado poder aquisitivo, mas é "bem estruturada", e acredita que as vítimas estavam sendo monitoradas há algum tempo pelos suspeitos. Embora o grupo não tenha conseguido consumar a extorsão, vários pertences de valor foram levados da casa da família na ocasião do sequestro, como joias e uma TV. A criança não foi ferida. 

Os quatro suspeitos foram presos e os outros dois que já estão detidos devem acrescer às suas penas os crimes de extorsão mediante sequestro e formação de quadrilha. Um deles já tem a pena bem robusta, segundo o delegado, tendo sido condenado a cerca de 140 anos de prisão, e o outro é apontado como o responsável por coordenar todo o crime de dentro da prisão por meio de um celular. Ambos estão presos por crimes como roubos, incluindo roubo a banco, e tráfico. 

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