Sem doses da CoronaVac para completar o ciclo de proteção contra a Covid-19 em idosos de 64 a 67 anos, a Prefeitura de Belo Horizonte não vai mais seguir a determinação do Ministério da Saúde. A capital deve voltar a fazer reservas para a segunda dose a partir das próximas remessas. Dessa forma, o processo de imunização pode desacelerar, reduzindo a ampliação para novos grupos prioritários, até que a pasta nacional restabeleça a distribuição.

Segundo a PBH, ao seguir a orientação do Plano Nacional de Imunização (PNI), a Secretaria Municipal de Saúde não guardou imunizantes para o reforço, já que o governo federal havia garantido a entrega em tempo hábil. A retomada da vacinação dessas pessoas só deve acontecer com a chegada de novo lote fabricado pelo Instituto Butantan, prevista para quinta-feira. 

Na metrópole, cerca de 80 mil pessoas desta faixa etária aguardam a segunda dose. Até o momento, a prefeitura dispõe de apenas 770 unidades da CoronaVac. Segundo o infectologista Carlos Starling, membro do Comitê de Enfrentamento à Pandemia em BH, pequenas variações no tempo de aplicação da segunda dose não causam impactos em termos de imunidade. 

Porém, se o atraso for maior que uma semana, não há evidências científicas do que pode acarretar. “Os estudos não foram feitos com um período muito dilatado, então gera-se uma incerteza com relação com o que pode acontecer”, afirmou o médico.

Para o especialista, a administração municipal tomou a atitude correta ao voltar a reservar imunizantes para o reforço. “O que nós temos que fazer é mudar, voltar atrás, porque o ministério não cumpriu com o acordo que tinha sido feito. Então, não dá para confiar. Se o fornecimento não é regular, a saída é, de fato, fazer a reserva para a segunda dose”, avaliou.

Por nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que orienta os municípios a seguirem as determinações do PNI. Já o Ministério da Saúde afirmou que estados e municípios devem sigam à risca o plano de vacinação contra o coronavírus. No entanto, os gestores têm autonomia para executar as próprias estratégias de acordo com as demandas locais.

* Com Marina Próton