Uma das formas de chegar a um estimativa do total de casos de Covid-19 em Belo Horizonte, não é pelos registros de entradas em unidades de saúde, mas pelos esgotos, uma vez que muitos infectados nem sabem que contraíram a doença. Há oito semanas todas as amostras de esgoto apresentam o novo coronavírus, segundo boletim do projeto Monitoramento Covid Esgotos, que indica que a infecção pode ter atingido população 35 vezes superior aos casos clínicos confirmados.

A estimativa de pessoas infectadas pelo novo coronavírus em Belo Horizonte (MG) se mantém no patamar de aproximadamente 500 mil pessoas, de acordo com pesquisa feita nas amostras de esgoto da cidade, dentro do projeto-piloto Monitoramento Covid Esgotos. A informação consta do Boletim de Acompanhamento nº 08/2020 do projeto, divulgado nesta sexta-feira, 24 de julho, com dados de coletas realizadas entre 13 e 17 de julho, a 29ª semana epidemiológica.

O monitoramento da pandemia de forma indireta, via esgotos, pode fornecer aos gestores ferramentas para a adoção de medidas de prevenção e controle. Os resultados da análise das amostras de esgoto nas bacias sanitárias do ribeirão Arrudas e do ribeirão do Onça, que recebem efluentes de Belo Horizonte, apontam que a infecção pode ter atingido um número de pessoas 35 vezes maior do que o total de casos confirmados por testes clínicos.

O projeto Monitoramento Covid Esgotos é uma iniciativa conjunta da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Estações Sustentáveis de Tratamento de Esgoto (INCT ETEs Sustentáveis/UFMG), em parceria com a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA), o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) e a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).

O boletim também aponta que pela sexta semana consecutiva 100% das amostras de esgoto testaram positivo para o novo coronavírus na bacia do ribeirão Arrudas e nas últimas oito semanas de monitoramento na bacia do Onça. “Esses resultados indicam a presença e persistência do vírus no esgoto de todas as regiões/bairros que compreendem as sub-bacias de esgotamento monitoradas na semana epidemiológica 29 (13 a 17/07)”, apontam os pesquisadores.

Apesar de os pesquisadores terem reduzido a projeção de pessoas contaminadas na semana anterior, que teria passado de cerca de 500 mil para cerca de 350 mil, isso não se confirmou como tendência e a estimativa foi novamente elevada para cerca de 500 mil pessoas no atual boletim.

“Isto sugere que a curva epidêmica em Belo Horizonte pode estar atingindo um platô. Todavia, somente os resultados de monitoramento do esgoto nas próximas duas ou três semanas poderão confirmar se esse patamar será mantido ou se haverá tendência de queda no número de pessoas infectadas estimado”, afirmam os pesquisadores, no boletim.