Doses contadas de vacina, mesmo para o público prioritário, nenhuma perspectiva de imunização maciça a médio prazo e um avanço sem precedentes do novo coronavírus. Belo Horizonte enfrenta o pior momento desde o início da pandemia, em março do ano passado. O número de pessoas contaminadas simultaneamente já é 58% maior do que o verificado no pico, em julho. E como a taxa de transmissão da doença continua acima de 1 – na última terça-feira, cada cem infectados contaminavam outros 103 –, o atual patamar de casos deve aumentar, piorando a situação.

leito UTI

“Em nenhum momento da pandemia foram registradas tantas pessoas contaminadas na cidade”, informou a PBH, em nota, ontem à noite. O avanço da doença tem impacto direto sobre os pedidos de hospitalização, e a taxa de internação segue no nível vermelho, com 81,7% na terça-feira.

Sem descanso

Quem reforça o alerta quanto à necessidade de medidas para conter a Covid é o infectologista Estevão Urbano. 

“Nós estamos vivendo um momento de taxa de contaminação até maior do que no pico anterior, e os números de saturação de leitos continuam elevados. Isso tudo tem a ver com as viagens e festas de fim de ano e o cenário é muito preocupante mesmo”, disse o médico, que trabalha no Hospital Madre Tereza e é integrante do Comitê de Enfrentamento à Covid na capital.

Desde o início da pandemia, BH já registrou 78.822 diagnósticos positivos e 2.087 mortes – 45 delas, de segunda para terça-feira. 

“O cenário é extremamente preocupante. A ideia é dar uma achatada nesta curva, que já estabilizou no alto e aos poucos torcer para ela decrescer”, diz Urbano.

Com o início da vacinação em BH, o infectologista chama a atenção para que as pessoas não baixem a guarda nem deixem de se prevenir achando que a batalha já está ganha. “A recomendação é que as pessoas se conscientizem que uma coisa (vacinação) não leva a outra (deixar de tomar cuidado)”.

A previsão de Urbano é a de que toda a população de BH esteja vacinada apenas no segundo semestre deste ano.