Ladrões que agem na surdina estão roubando o sono de belo-horizontinos. Em janeiro, houve 395 arrombamentos seguidos de furto a imóveis residenciais e comerciais da capital, média de um a cada duas horas. Ainda que o crime não envolva violência, atormenta as vítimas não só pelo prejuízo e sensação de impotência, mas também pela vulnerabilidade dos espaços que frequentam.

Em Santa Tereza, na região Leste, uma estudante de 29 anos e duas amigas com quem divide uma casa na rua Pouso Alegre foram vítimas de bandidos há poucos dias. Na madrugada de 20 de março, uma das portas do imóvel foi arrombada, e um notebook e uma furadeira sumiram. “Vamos trocar a porta, reforçar as fechaduras e tomar mais cuidado”, diz a mulher, que acredita que o ladrão entrou na residência pelo imóvel vizinho.

Comerciantes e pedestres também relatam insegurança. “Toda hora é um carro sendo arrombado, alguém perdendo o celular. Falta polícia aqui”, diz a dona de uma lanchonete na mesma rua. Ela não quis se identificar. Os bandidos não perdoam nem igreja. Há 15 dias, um templo em Venda Nova teve uma grade destruída e foi invadido durante a madrugada. Um contrabaixo foi levado e outros instrumentos só ficaram para trás porque o alarme do imóvel disparou. 

Na rua Sergipe, na Savassi, uma loja de variedades, aberta há apenas três semanas, foi alvo de três tentativas de arrombamento em apenas seis dias. Vidraças foram apedrejadas e estão bambas. No fim de semana, tapumes foram colocados no local para proteger a fachada do estabelecimento, que acabou com a porta empenada após uma investida dos criminosos.

“Uma hora vão conseguir entrar”, lamenta a gerente Ana Paula Gonçalves, de 30 anos. Para tentar espantar os bandidos, ela planeja instalar uma porta de metal para tapar toda a fachada da loja.

No ano passado, BH registrou 4.961 ocorrências de furtos após arrombamentos a prédios comerciais e lares, de acordo com os dados da Sesp

Monitoramento

A Polícia Militar (PM) diz que usa tecnologias como câmeras para potencializar o monitoramento da cidade, e que o policiamento acontece 24 horas por dia. 

Ressaltou ainda que fez, em janeiro deste ano, a operação “Férias Seguras”, intensificando o patrulhamento nas ruas. “O resultado foi a diminuição dos casos de furtos consumados mediante arrombamento, que apresentaram queda de 16,1%, ou seja, de 1.309 casos em janeiro de 2018 para 1.098 em 2019, no mesmo período”, afirmou.

Procurada, a Polícia Civil disse que, por questões estratégicas, os métodos de investigação de crimes de furtos não podem ser divulgados, mas que "os crimes patrimoniais, quando registrados, são devidamente apurados". Segundo a corporação, além da identificação dos suspeitos, há a representação de medidas cautelares pertinentes a cada caso.

Especialista em segurança pública, o professor Robson Sávio, da PUC Minas, diz que, além do policiamento, ações conjuntas com a comunidade, como redes de informações e monitoramento, podem surtir efeito. “Hoje, as pessoas se comunicam via aplicativos e isso pode ajudar o bairro a ser monitorado”.

Para evitar furtos, moradores devem conferir se a casa está bem fechada e procurar sempre comunicar-se com os vizinhos. Outra dica é não deixar o imóvel com a aparência de vazio. “Cortinas e persianas totalmente fechadas, a mesma lâmpada acesa dia e noite, acúmulo de correspondências e jornais denunciam ausência dos moradores”, informou a PM, em nota.