Faltam 55 dias para o Carnaval, mas os números oficiais apresentados nesta sexta-feira pela Belotur já indicam que a festa momesca de 2019, na capital, promete ser a maior de todos os tempos. Exatos 590 blocos estão cadastrados para desfilar pelas ruas da metrópole durante a folia. São 180 grupos a mais que no ano passado.

Entre os estreantes está o Faraó, que nasceu a partir da união de nove amigos que integravam a bateria do já tradicional Baianas Ozadas. A ideia, segundo o coordenador do projeto, João Batista de Souza, de 37 anos, é atuar na construção coletiva do respeito às diferenças. No repertório, o axé da Bahia.

Mesmo sendo o primeiro ano de desfile, o bloco já chega com uma estrutura para absorver grande público. Serão dois trios elétricos e uma bateria com 420 percussionistas. 

O desfile será na tarde do sábado de Carnaval, na avenida Afonso Pena, entre as ruas Tamoios e Curitiba. “Nossa expectativa é aglutinar a dispersão do Então, Brilha! e do Quando Come se Lambuza, que vão desfilar pela manhã”, afirma João Batista. 

A mistura de ritmos distintos – o rock e sertanejo – também estará presente na folia de BH. Diferentemente do Faraó, o Rocknejo surgiu da divergência de estilos musicais entre dois amigos.

“O patrocínio subiu de R$ 9 milhões para R$ 13 milhões. Isso nos permite mais banheiros, lixeiras e infraestrutura de segurança” (Marcos Boffa, diretor da Belotur)

Segundo o farmacêutico Rodrigo Ratton de Freitas, de 42 anos, a proposta surgiu no ano passado e a apresentação está prevista para a noite da sexta-feira. Os cerca de cem colaboradores ainda estudam o melhor trajeto, que deve ocorrer em ruas da Savassi. “Queremos que as pessoas participem. A gente deseja contribuir ainda mais para o crescimento da folia”.

Essa também será a primeira vez do grupo “Daquele Jeito”. O cortejo, que acontecerá na manhã da segunda-feira, em frente ao Colégio Arnaldo, no bairro Funcionários, levará aos participantes o pagode baiano. “É uma vertente nova e que não toca muito no Carnaval de BH”, diz o percussionista Pedro Tiago, um dos membros da bateria.

Experiente por ter participado de outros blocos, a professora de dança Maíra Rodrigues, de 34 anos, está à frente do Daquele Jeito. Além do pagode baiano, o coletivo promete resgatar hits do arrocha.

A expectativa é de atrair 10 mil foliões. “Acho que as canções desses ritmos têm um valor afetivo muito importante. Eu sentia falta delas em Belo Horizonte”, relatou. A bateria e a ala de dança contarão com cerca de 120 participantes.

Segurança reforçada

Diante de um Carnaval maior, o desafio também aumenta. Um dos focos dos organizadores é descentralizar a festa. “O público e os blocos crescem, mas as ruas não. Então, quanto mais a gente pode descentralizar, melhor. Também pelo clima, pela democratização, para ir atrás de novos públicos”, afirma o diretor de Políticas de Turismo e Inovação da Belotur, Marcos Boffa. Segundo ele, ações integradas estão sendo planejadas com vários órgãos púbicos para garantir um evento tranquilo.

Com relação à segurança, a Guarda Municipal informou que todo o efetivo, de 2.055 agentes, vai estar disponível. “Fizemos reuniões com os blocos e a Belotur e já mapeamos o trajeto e horário de início e dispersão, e vamos deslocar nossos agentes de acordo com essas informações”, salientou o inspetor Alysson Viana de Carvalho, do setor de Segurança Física da corporação. A Polícia Militar foi procurada, mas disse que as ações estão em “fase de planejamento”.

(Colaborou Mariana Durães)

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