Belo Horizonte vive um cenário alarmante da pandemia da Covid-19. A cidade já passa dos 113 mil infectados pelo novo coronavírus, com 2.763 vidas perdidas. Além disso, dois dos principais indicadores que monitoram a situação estão no vermelho, ou seja, alerta máximo. Por isso, o tom é de preocupação entre os infectologistas membros do Comitê de Enfrentamento à doença na capital.

Para conter o avanço da contaminação, um recuo na flexibilização, com restrições ao funcionamento do comércio e serviços não essenciais, não está descartado. Nesta quarta-feira (3), uma reunião com a presença do prefeito Alexandre Kalil, vai discutir os novos rumos das atividades econômicas na metrópole.

“Retroceder na flexibilização é sempre possível, sempre há uma possibilidade de nós termos que dar um passo para trás. Os indicadores são claros, as regras são muito claras e, portanto, acho que nessa altura da pandemia, já não há muita surpresa para as pessoas. Se for necessário, recomendaremos esse passo atrás”, disse o infectologista e membro do comitê, Carlos Starling.

Desde segunda (1º), a taxa de transmissão por infectado, o Rt, está em 1,20 na capital. O indicador demonstra que a velocidade de contágio aumentou “consideravelmente" – no boletim de sexta-feira (26), o Rt estava em 1,06. Já a taxa de ocupação de leitos de terapia intensiva, que chegou a ocupar o nível amarelo do gráfico, voltou a subir e chegou a 76,3% no boletim epidemiológico dessa terça (2).

Os dados lançam alerta. “Estamos em um momento extremamente delicado. Os indicadores pioraram muito e isso vem acontecendo no Brasil inteiro. Um momento de muita preocupação em que a epidemia volta a acelerar, com resultado de festas de fim de ano e Carnaval, além de uma cepa que não tem respeitado muito o fato das pessoas já terem tido contato com a variante anterior", disse o médico.

O especialista também reforçou a importância de BH as demais cidades mineiras, já que é referências nos atendimentos aos pacientes. "Não somos uma ilha, então temos que socorrer os municípios do restante do estado e atender as demandas que vão surgindo. Com isso, nossa rede hospitalar vai ficando muito pressionada”, concluiu.

Já Estevão Urbano, também membro do comitê do enfrentamento, é ainda mais categórico. Para ele, o atual cenário é o “pior momento da pandemia desde o seu início”. O infectologista considera que novas mortes ocasionadas pelo coronavírus só serão evitadas com ações mais rígidas. 

“O Brasil todo precisa tomar medidas de contensão. Podemos ter um futuro a curto prazo muito sombrio, com muitas vidas perdidas. Não temos um sistema de vacinação em massa, a vacina está vindo a conta-gotas. Em BH, nós analisamos os dados diariamente. Ainda não tem nenhuma decisão tomada, mas todas elas existem em prol da segurança das pessoas”, avaliou.

Novas cepas        

Variantes do vírus, que circulam pela capital e cidades de Minas e do Brasil, também preocupam e têm mobilizado a atenção dos especialistas. A nova cepa tem se mostrado ainda mais transmissível, podendo infectar pessoas que já tiveram contato com a doença.

“Infelizmente, foram detectadas em quase todo o território nacional. Ela tem capacidade de transmissão com mais facilidade e, parece que pode ter casos mais graves. É um fator agravante dessa pandemia. Mais do que nunca, é preciso redobrar os cuidados”, afirmou o membro do comitê, o médico Unaí Tupinambás.

Como forma de evitar o contágio, os infectologistas pedem que a população siga com os cuidados de higiene e mantenha o uso de máscara de proteção, evitando aglomerações. “Nesse momento, a única saída é um cuidado individual como nunca tivemos”, finalizou.

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