Belo Horizonte registra 21 acidentes com motos todos os dias, segundo levantamento da BHTrans. A média se mantém constante há pelo menos três anos e levou a empresa a aumentar as ações educativas com a instalação das “placas gentileza”, novo modo de reforçar a necessidade de acionar a seta antes das mudanças de faixa pelos pilotos. 

Nove já foram distribuídas em locais estratégicos, como as avenidas Mário Werneck, no bairro Buritis, Oeste de BH, e em vários pontos da Cristiano Machado, Amazonas e Antônio Carlos. Esses locais também concentram, junto com o Anel Rodoviário, a maioria dos acidentes. 

Diretor de Sistema Viário da BHTrans, José Carlos Ladeira explica que a ação é voltada para despertar a reflexão dos motociclistas. “É mais uma forma de chamarmos a atenção dessas pessoas para o tema”, explica. 

Ladeira detalha que outras medidas com foco nos motociclistas também vêm sendo realizadas. “Ampliamos o espaço de espera para as motos na frente dos carros no semáforo e redimensionamos a largura das faixas para garantir que as ultrapassagens sejam feitas de forma mais segura”, diz. 

Hoje, conforme ele, a capital tem uma frota de 250 mil motocicletas, sem contar com as que vêm da região metropolitana e trafegam pela cidade. Desse total, pelo menos 35 mil são motofretistas, ou seja, pessoas que trabalham com entregas e estão a maior parte do tempo em trânsito.

“O problema é que só 8 mil estão regulamentados na profissão, usam a vestimenta adequada e têm a moto com todas as adaptações necessárias, como por exemplo, o tamanho padronizado do baú”, afirma o diretor de Sistema Viário da BHTrans. 

Imprudência

A irresponsabilidade, no entanto, continua visível. Quem afirma é o tenente da Polícia Militar Rodoviária (PMRv) Luiz Fernando Ferreira, responsável pelo policiamento no Anel Rodoviário. O oficial afirma que a rodovia é o local com maior índice de acidentes motociclísticos na metrópole, dentre outras questões, em função do grande número de retenções ao longo da pista. 

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Motociclistas trafegam em alta velocidade

“Os motociclistas aproveitam isso para trafegar em alta velocidade entre os carros, e se um condutor tenta mudar de faixa, o acidente acontece. Muitas vezes, a moto vai parar embaixo de caminhões e as mortes são inevitáveis”, relata o tenente. 
Para ele, as ações educativas e a fiscalização que é feita semanalmente são importantes, mas não suficientes. “Precisamos de melhorias na infraestrutura do Anel. Há muitas reduções de três para duas faixas que geram os congestionamentos e acabam contribuindo para acidentes”, avalia Ferreira.


Veículo sobre duas rodas vira fonte de renda e impulsiona frota 

A mudança no perfil dos motociclistas e a utilização das motos como ferramenta de trabalho também contribuem para o elevado número de acidentes nos corredores de Belo Horizonte, avalia o tenente Marco Antônio Said, do Batalhão de Trânsito (BPTran) da Polícia Militar. 

Ele afirma que, com o passar do tempo, a faixa etária desse grupo diminuiu e o trabalho com as motos passou a demandar muita pressa. “Hoje, essa categoria dos entregadores se acidenta muito, e geralmente é devido às manobras e ultrapassagens arriscadas diante da necessidade de ganhar tempo”, analisa. 

Consultor em transporte e trânsito, Márcio Aguiar é categórico ao afirmar que os acidentes com motos “vão continuar aumentando” em Belo Horizonte. 

Para ele, há mais motociclistas em circulação diariamente porque, com um transporte público deficiente e o combustível mais caro, essa passa a ser uma saída viável para quem precisa se locomover nas grandes capitais.
“Os jovens, principalmente, andam cada vez mais de moto. Nos horários de pico, em corredores como Antônio Carlos e Cristiano Machado, a quantidade de motociclistas é assustadora. É um problema que tende a continuar”, avalia o especialista. 

Trabalho

Aguiar ainda ressalta que a utilização de celulares e aparelhos GPS nas motos, principalmente pelos entregadores, é outro fator que eleva o número de acidentes. 

O Hoje em Dia mostrou, na edição de 21 de maio, que a prática amplia os riscos e que, de acordo com portaria do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), o manuseio do smartphone só é permitido com a moto ou carro estacionado. 

O uso com o veículo em movimento, mesmo em breves paradas como nos semáforos, é proibido. Ligações e aplicativos de mensagens de texto também não são permitidos. Quem for flagrado cometendo a infração considerada grave é multado em R$ 195 e perde cinco pontos na CNH.