A Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) divulgou o relatório final da auditoria sobre o transporte coletivo da capital mineira na noite desta sexta-feira (28). No entanto, o órgão de trânsito não comentou as conclusões.
 
Por meio de nota, a BHTrans apenas informou que o relatório foi enviado ao Ministério Público Estadual (MPMG) e que "está em análise pelo Poder Concedente para subsidiar qualquer definição relativa à alteração tarifária no transporte coletivo".
 
Nas conclusões da auditoria divulgada está escrito que o estudo elaborado pela Ernst & Young "aponta um desequilíbrio que afeta negativamente o retorno dos concessionários. Essa condição indicou a necessidade de aplicação de um coeficiente de reequilíbrio contratual da ordem de 2,97% sobre a tarifa de R$ 2,65, sem considerar o efeito da atualização anual, pela Fórmula Paramétrica". No mesmo documento, diz que a análise feita pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH) "concluiu que seria necessário um reajuste tarifário de 7,21% para garantir a TIR definida no contrato".
 
Segundo Edson Rios, assessor do SetraBH, as passagens de ônibus em BH não são reajustadas há 16 meses e o aumento é necessário, uma vez que as empresas estão no vermelho. Ele ainda alegou que os gastos das corporações aumentaram em decorrência de todos os investimentos feitos no BRT. "O gasto foi de R$ 280 milhões e, se o preço da passagem não aumentar, as empresas podem falir, o que ameaça a implantação do novo sistema", argumentou.
 
A divulgação do relatório foi acordada durante reunião sobre o possível reajuste no MPMG entre representantes da BHTrans e da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) na última quarta-feira (26). Na data, também por meio de nota, a BHTrans alegou que "não há qualquer definição sobre a alteração de tarifas do transporte coletivo em Belo Horizonte". Porém um aumento de R$ 0,20 foi divulgado pelo movimento "Tarifa Zero BH" um dia antes. Em página do Facebook e envio de nota à imprensa, integrantes do movimento afirmaram que o reajuste da tarifa foi decidido durante outra reunião entre a PBH e o MPMG na terça-feira (25) e que irá valer a partir da próxima terça-feira (1º).
 
Repercussão
 
Após a divulgação do relatório, o promotor Eduardo Nepomuceno informou que uma equipe do MPMG está fazendo a análise pericial de alguns dados do relatório. “Essa verificação vai instruir a adoção de providências por parte do MP”, observou.
 
O promotor reconhece que a tendência de reajuste das tarifas é muito forte. Se o aumento acontecer, o Ministério Público vai mover uma ação contra a medida. Não há previsão de quando o resultado da perícia ficará pronto, mas Eduardo Nepomuceno pediu prioridade nos trabalhos e acredita que a análise fique pronta o mais rápido possível.
 
Manifestação
 
Uma manifestação contra o reajuste foi agendada pelo movimento "Tarifa Zero BH" para a próxima quinta-feira (3). "CHAMAMOS TODA A POPULAÇÃO DE BELO HORIZONTE PARA IR ÀS RUAS IMPEDIR ESSE AUMENTO! É o povo agora que vai mandar no transporte. Acabou o tempo dos desmandos da prefeitura e dos empresários! Acabou o tempo dos acordos de gabinete! Agora a política é das ruas e pelas ruas! SE A TARIFA AUMENTAR, A CIDADE VAI PARAR!", diz o convite para o protesto. O ato, denominado "1º ATO: SE A TARIFA AUMENTAR, A CIDADE VAI PARAR!", está marcado para às 17 horas, na Praça 7, no Centro da capital mineira.