A relação de confiança e carinho entre humanos e animais de estimação pode ir muito além das brincadeiras no quintal. Por meio da Terapia Assistida por Animais (TAA), idosos, deficientes físicos e crianças com necessidades especiais ganham alegria e mais qualidade de vida.
 
Eles interagem com os animais sob a supervisão de profissionais como o psicólogo Leonardo Curi, técnico em TAA e coordenador técnico do projeto Religare, integrante do programa de voluntariado Pró-Idoso, do Minas Tênis Clube.

Ele trabalha com os moradores do Lar dos Idosos Clotilde Martins, da Sociedade São Vicente de Paulo, localizada no bairro Salgado Filho, região Oeste de Belo Horizonte. O objetivo é melhorar os quadros de carência afetiva, autoestima e depressão dos assistidos.

Segundo “Leo”, como é chamado pelos idosos, a melhoria do bem-estar é um dos principais benefícios da terapia. “Ela também ajuda no humor, nos relacionamentos interpessoais e na adaptação do indivíduo com a instituição”, afirma.

Conforme notou o psicólogo, depois que as sessões semanais com animais começaram na instituição, há 3 anos, os moradores ficaram mais amigos e pacientes. Aprenderam também a lidar com a morte de forma mais natural, acabando com o receio de se aproximar dos colegas com medo de perdê-los num futuro próximo.

“A lição foi aprendida com ajuda de uma cadela e uma gata que perderam quase todos os filhotes das ninhadas”, explica Leonardo.

 Alegria

Moradora do Lar dos Idosos, Maria Germana da Silva, de 73 anos, diz que o cão Baruck, um boiadeiro bernês de 4 anos, conquistou o coração dela. Ambos têm uma história parecida: foram abandonados pelas famílias, mas acabaram encontrando o aconchego de um lar feliz. “Quando os animais vêm, é uma alegria geral, parece que vai chegar um príncipe”, brinca.

Álvaro Roberto Pereira, de 75 anos, prefere a tranquilidade dos gatos. Ele relata que, depois das visitas dos bichos, os colegas ficam menos ranzinzas. “Após os encontros, nossa pressão está sempre mais baixa”, diz.

De fato, a melhoria do condicionamento físico é outra vantagem da TAA. Além de terem as funções vitais monitoradas ao brincar com os bichos, os idosos fazem alongamentos.

Hipoterapia equilibra e endireita o tronco de deficientes físicos

Para deficientes físicos, cavalos podem ser recursos terapêuticos na reabilitação chamada hipoterapia.

De acordo com a professora do curso de fisioterapia da PUC Minas e mestre em saúde da criança e do adolescente, Patrícia Fontes, quando o cavalo anda, produz movimento estimulante no quadril de quem estiver montado. Tal ação provoca reações de equilíbrio e endireita o tronco do deficiente.

O contato com o animal deixa os pacientes mais motivados, principalmente por fazerem as sessões em ambiente aberto, fora do consultório. “Além disso, eles têm autonomia por não dependerem da cadeira de rodas” ressalta. Ela coordena o projeto “Hipoterapia multidisciplinar, um atendimento para crianças especiais”, da PUC Minas, em Betim, na Grande BH.

Segundo a professora da escola de Veterinária da UFMG, Patrícia Maria Freitas, os bichos também sentem os efeitos positivos da Terapia Assistida por Animais (TAA) por meio do carinho das pessoas nas sessões.

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