O carnaval de Belo Horizonte cresceu muito nos últimos seis anos e, com ele, os custos para colocar um bloco na rua. Se, antes, os músicos e batuqueiros colocavam a mão no próprio bolso para fazer a festa acontecer, hoje é impossível ter um cortejo sem uma boa reserva financeira – especialmente os blocos maiores.

Para conseguir bancar os custos com trios elétricos, sonorização e produção, os blocos têm se valido das mais diferentes estratégias. Uma solução é unir forças. Os blocos “Então, Brilha”, “Pena de Pavão de Krishna”, “Juventude Bronzeada”, “Baianas Ozadas” e “Tchanzinho Zona Norte” estão realizando um financiamento coletivo diferenciado para custear a sonorização – compartilhada entre eles. As cotas custam R$ 25 e a recompensa é única: a entrada para a festa “Sonoriza”, que será realizada hoje, a partir das 14h, na Serraria Souza Pinto. É uma oportunidade de ver um certo resumo do carnaval em um único dia e lugar.

A estratégia de trabalhar isso como um financiamento coletivo, em vez de uma simples festa, foi criar entre todos uma ideia de participação coletiva. “É para que todo mundo se sinta parte dos blocos. A ideia foi horizontalizar o máximo possível, passar a mensagem de tom colaborativo que o carnaval já tem. Todo mundo fortalecendo o trabalho do outro”, afirma Renata Chamilet, produtora do bloco Baianas Ozadas.

Vaquinha

O crowdfunding (financiamento coletivo via internet) também foi a estratégia usada por vários blocos. O primeiro deles foi o “Alcova Libertina”, que chegou a levar cerca de 60 mil pessoas para o cortejo feito ano passado na avenida dos Andradas. O bloco criou uma campanha no Catarse requerendo R$ 25 mil, mas ainda não alcançou a metade da meta.

De acordo com Humberto Mundim, um dos vocalistas do bloco, é tudo ou nada. Se o público não ajudar e a meta não for alcançada, o Alcova não vai sair no carnaval de 2016.

“Nós precisamos de um equipamento que esteja à altura do som que fazemos. Somos 22 músicos e ensaiamos durante o ano todo para o carnaval”, afirma o artista, reforçando que o bloco foi procurado por patrocinadores, mas preferiu se manter independente.

O tradicional bloco “Chama o Síndico” também está em processo de campanha para levantar R$ 25 mil.

Valorização

O bloco “Magnólia”, que leva jazz para as ruas do bairro Santo André, também criou uma “vaquinha” na internet para alugar um bom som. “O nosso bloco tem a filosofia de chamar músicos que são profissionais e é preciso um conhecimento musical para executar o repertório. Temos que pagar bem para esses músicos”, conta o coordenador do bloco, Flávio Teixeira, lembrando que o “Magnólia” também levanta recursos com shows em eventos fechados e com oficinas musicais.

Blocos menores, especialmente os iniciantes, costumam arrecadar recursos com a venda de artigos que trabalhem a marca. No caso do “Beiço do Wando”, foram vendidas camisetas e canecas. “Fizemos também duas festas para amigos, nas quais vendemos cerveja e espetinhos”, conta o músico Guilherme Lopes, revelando que o bloco precisa de R$ 4 mil para o aluguel do som.