O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, foi condenado a 16 anos de prisão pelo assassinato do motorista Devanir Claudiano Alves, em 2009, no bairro Juliana, na região Norte de Belo Horizonte. O comerciante Antônio Osvaldo Bicalho, apontado como mandante do crime, foi sentenciado a 14 anos de prisão.

Segundo a assessoria do Fórum Lafayette, os dois condenados tiveram o direito de recorrer da sentença em liberdade. Porém, Bola permanecerá preso por já cumprir pena de 22 anos de prisão pela morte da Eliza Samúdio. 

O júri, que durou mais de 20 horas, ocorreu no 3º Tribunal do Fórum Lafayette, e foi presidido pela juíza Myrna Fabiana Monteiro Souto.

O crime 

Segundo denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Bola foi contratado pelo comerciante, que teria descoberto um relacionamento extraconjugal da esposa com a vítima. Ainda de acordo com a denúncia, Bola teria executado Alves perto da casa da vítima, no bairro Juliana.

O comerciante e o ex-policial foram denunciados por homicídio duplamente qualificado, mediante promessa de recompensa e com dificuldade de defesa para a vítima.

Interrogatórios

Diante dos jurados, os dois réus negaram o crime. O ex-policial insistiu que sequer conhecia o comerciante e o motorista. Ressaltou que foi implicado porque o delegado que investigava o crime, o mesmo que investigou a morte de Eliza Samudio, tem uma rixa antiga com ele, por conta de desavenças na época em que se conheceram na Academia de Polícia Civil.

Já o comerciante Antônio Bicalho reafirmou que nunca teve contato com Marcos Aparecido. Ele disse à juíza que acredita ter sido usado pelo delegado para corroborar a acusação contra o ex-policial.

Debates

No segundo dia de julgamento, o promotor Valter Shigueto Moriyama se baseou em provas testemunhais para tentar mostrar que o comerciante contratou "Bola" para matar o então amante da esposa. Ele quis ressaltar a relação entre o mandante e o executor no crime.

A partir dos relatos, a promotoria revelou que os três tiros que mataram o motorista foram dados por um profissional, dada a precisão dos disparos e a frieza do atirador. “Experiência em matar e também em atirar”. Ele lembrou em plenário as duas condenações criminais que o ex-policial já tem, uma pela morte de Eliza Samudio, ex-namorada do goleiro Bruno; e outra pela morte de um carcereiro em Contagem.

A acusação ainda usou palavras das testemunhas para mostrar que o comerciante falou para a então esposa que ia acontecer uma tragédia. Ela ficou com medo que ele fosse mandar matar sua irmã e pediu-lhe para não fazer isso. Foi aí que o comerciante disse: “Fique tranquila, quem vai morrer não é sua irmã não, é outra pessoa”.

Já as defesas de Antônio e Marcos destacaram a fragilidade da investigação, que explorou apenas a tese de crime passional.
Ambos criticaram que não se investigou, por exemplo, a ligação do homicídio com uma grande apreensão de drogas e armas que tinha ocorrido em um imóvel da vítima, e que levou à prisão de um casal que tinha alugado a propriedade meses antes.

O advogado do ex-policial ainda questionou a incoerência do depoimento das principais testemunhas com as provas técnicas, dentre elas a de balística e quebra de sigilo bancário e telefônico, que não relacionaram o crime a seu cliente.

(*Com TJMG)

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