Dados do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) apontam que, em todo país, aproximadamente 60% dos leitos de pronto-atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) são ocupados por vítimas do trânsito, o que gera um custo médio anual de mais de R$ 50 bilhões e é o principal motivo de afastamento no trabalho.

Para José Aurélio Ramalho, presidente do ONSV, a proposta de aumentar a pontuação para a perda da carteira irá beneficiar somente os condutores infratores, que correspondem a menos de 5% dos brasileiros. 

“Ou seja, justamente os que colocam em risco a vida dos demais 95%, e certamente impactam nas 37 mil mortes por acidentes registradas em 2017 e nas outras centenas de milhares que sofreram lesões permanentes”, afirma.

A sugestão elaborada pelo observatório para evitar que a segurança no trânsito seja comprometida é permitir que todos os motoristas façam o curso de reciclagem preventiva, opção que atualmente só está disponível para os que exercem atividades remuneradas.

Hoje, explica Ramalho, quem trabalha nessa condição e atinge 14 pontos na CNH pode efetuar um curso preventivo de reciclagem, dentro do período de um ano, zerando o saldo. 

“Isso significa que motoristas profissionais que passarem pela capacitação podem atingir até 34 pontos por ano, conforme previsto no CTB. Nossa sugestão é manter o modelo atual propondo que todos os condutores tenham a possibilidade de efetuar o curso de reciclagem preventiva, tendo o mesmo benefício”, diz.

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