As obras de reparação dos locais afetados pelo rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Grande BH, estão suspensas por determinação da prefeitura do município. De acordo com o executivo, as atividades podem contribuir para o aumento dos casos de Covid-19 na cidade.

Por isso, o prefeito Avimar de Melo Barcelos assinou um decreto suspendendo temporariamente os alvarás de funcionamento de todas as empresas que prestam serviço à Vale. A decisão também afeta a construção de um novo ponto de captação da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). 

A interrupção dos serviços tem prazo de dez dias, mas pode ser prorrogada "por tempo indeterminado, em caso de descumprimento desse Plano de Contingenciamento", diz trecho do texto. Conforme o documento, houve um aumento expressivo de casos confirmados de novo coronavírus nos canteiros de obras das referidas empresas. 

Até este sábado (6), conforme a Secretaria Estadual de Saúde (SES), Brumadinho tem 38 confirmações da doença e nenhuma morte registrada. Os pontos de obras que tiveram os trabalhos suspensos serão fiscalizados pela Vigilância Sanitária Setor de Epidemiologia e Saúde do Trabalhador.

Procurada pela reportagem, a Vale disse que implantou medidas preventivas e de orientação nas frentes de obras, que respeitam determinações dos órgãos de saúde relativos à pandemia da Covid-19. "E a empresa segue aberta ao diálogo com as autoridades municipais, na busca por soluções consensuais que levem em conta o cuidado genuíno com os seus colaboradores e comunidades, seu principal foco de atuação em Brumadinho”.

O desastre em Brumadinho aconteceu em 25 de janeiro do ano passado e deixou 270 mortos. Onze corpos ainda não foram localizados.

Queda de braço

Esta não é a primeira vez que a prefeitura suspende os alvarás das empresas. Em 12 de maio, o município tomou atitude semelhante e ordenou a paralisação das obras. A Vale recorreu da decisão e, sete dias depois, a Justiça autorizou a retomada das obras.

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