O goleiro Bruno Fernandes já está de volta à cadeia para cumprir o restante da pena de 22 anos e três meses de prisão pela morte da ex-namorada Eliza Samúdio, após 62 dias de liberdade. 

O plano do atleta de retomar a carreira no futebol foi interrompido na terça-feira (25),  quando o Supremo Tribunal Federal revogou o habeas corpus que garantia a Bruno, por exemplo, o direito de defender o Boa Esporte Clube, de Varginha. Ontem, de forma espontânea, o goleiro se apresentou à Delegacia Regional da cidade. 

Bruno Fernandes passou por exame de corpo delito no IML nesta quinta-feira e foi encaminhado para  a Penitenciária de Três Corações, também no Sul do Estado, de acordo com a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap).  No local, ele ocupará uma cela individual, com medida de 4,5 por 4,5 metros, em um espaço com cama, pia e vaso sanitário de alvenaria.

Por razões de segurança, a Seap não informa detalhes sobre transferência de presos. No entanto, uma fonte informou ao Hoje em Dia que havia a possibilidade da transferência de Bruno para outra unidade prisional ainda nesta sexta-feira (28).

Antes de ser solto, o jogador do Boa Esporte estava, desde fevereiro de 2015, cumprindo a pena na Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac) de Santa Luzia. Anteriormente, Bruno havia passado por duas vezes pela Penitenciária Nelson Hungria.

Histórico prisional de Bruno:

APAC de Santa Luzia
Admissão: 09.09.2015
Desligamento: 24.02.2017

Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem
Admissão: 25.11.2014
Desligamento: 09.09.2015

Penitenciária de Francisco Sá, no Norte de MG
Admissão: 20.06.2014
Desligamento: 25.11.2014

Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem
Admissão: 09.07.2010
Desligamento: 20.06.2014

Polícia Civil – Divisão Especializada de Investigação de Crimes contra a Vida
Admissão: 09.07.2010
Desligamento: 09.07.2010

Relembre

O jogador é apontado como autor do assassinato de Eliza Samúdio, com quem teve um relacionamento e um filho. Ela desapareceu em 2010, aos 25 anos, e foi considerada morta pela Justiça. O corpo nunca foi encontrado. Na época, o goleiro atuava no Flamengo. 

Em 2013, ele foi condenado a 22 anos e três meses pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver. O amigo Luiz Henrique Romão, conhecido como Macarrão, também foi condenado.

Em fevereiro deste ano, o ministro do STF, Marco Aurélio Mello, concedeu uma liminar determinando a soltura de Bruno para que pudesse recorrer em liberdade. Mello destacou que ele já somava seis anos e sete meses de prisão sem que tivesse sido condenado em segunda instância.

Porém, ao derrubar a liminar nesta semana, a Primeira Turma do STF considerou que a soltura de Bruno vai contra a decisão soberana do júri popular, que negou ao goleiro o direito de recorrer de sua condenação em liberdade. Este foi o entendimento do ministro relator Alexandre de Moraes, que foi acompanhado pelos votos de Rosa Weber e Luiz Fux.

Boa Esporte

Nos dois meses em que esteve em liberdade, Bruno voltou a atuar no futebol profissional. Aos 32 anos, ele fechou acordo com o Boa Esporte. Diante do anúncio, diversos patrocinadores do clube optaram por romper o contrato, mas a diretoria manteve o Bruno na equipe.

Bruno jogou cinco partidas pelo Boa, que está disputando a segunda divisão do Campeonato Mineiro. 

(*) Com Agência Brasil

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