O caos não terminou com o amanhecer desta quarta-feira (29), na avenida Silva Lobo, na região Oeste de Belo Horizonte, uma das vias mais movimentadas e atingidas pelas fortes chuvas da noite dessa terça (28) na capital. O trânsito está travado no local devido a diversas interdições, motivadas por buracos, rompimento de camadas de asfalto e risco de afundamento de bueiro.

No comércio de tintas, próximo ao viaduto da Amazonas, o dia tem sido de limpeza imediata do saguão. “Tem o transtorno de retirar e secar a água da enxurrada das latas, pois elas podem enferrujar e danificar o produto. Mas, além disso, tem outra questão pior: o cliente não vem à loja. Tem medo. Não sai de casa se ele acha que é uma localidade que não tem segurança. É só prejuízo”, contou Henrique Frois, gerente do comércio já há 11 anos. 

Buracos, asfalto aos pedaços e risco de afundamento de bueiro: Silva Lobo tem manhã de caos

Henrique Frois faz a limpeza da loja na manhã desta quarta-feira

Prevendo perdas, o empresário Alexandre Barbosa, de 44 anos, dono de uma loja de MDF na Silva Lobo, afirma ter investido R$ 120 mil na recuperação de um galpão construído à altura do solo. “Subimos 40 cm de altura para proteger nossos produtos. A água entrou após a chuva de ontem, mas não chegou aos mostruários”, conta. 

Próximo ao número 900 da Silva Lobo, uma das pistas segue interditada devido ao risco de afundamento do asfalto. Logo abaixo, cerca de 5 metros de profundidade, passa um córrego canalizado. Veja o vídeo abaixo:

Em outro ponto da avenida, uma cratera se formou. Comerciantes da região improvisaram uma interdição, colocando galhos de árvore no buraco. O estrago também ajudou a atrapalhar o trânsito no local. Veja o vídeo:

Estrago atinge todos

“Antes, a chuva estava nos bairros pobres, matando gente pobre. Então, as pessoas não estavam nem aí. Agora, ela está indo para bairro chique e então as pessoas vão finalmente perceber que a situação é grave”, afirma a publicitária Clarice Mota, de 28 anos, moradora do Grajaú. Veja entrevista com a publicitária:

Para ela, a quarta-feira é de atraso: seu ônibus para ir ao trabalho, no Buritis, na mesma região, passou lotado. “Nunca teve tanta gente quanto hoje no ponto. Ele passa vazio todo dia, neste horário, e hoje eu nem consegui entrar”, contou, em entrevista por volta das 9h.

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