Prestes a completar 100 dias, as buscas pelos corpos da tragédia da Vale em Brumadinho, na Grande BH, não têm previsão para acabar. Segundo o tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros sobre a tragédia, enquanto houver possibilidade de localizar fragmentos ou corpos na área atingida, as operação não devem cessar. 

"Trabalhamos com a continuidade das operações, No início do planejamento, já sabíamos que íamos ficar todo esse tempo, e só interromperíamos as buscas em duas hipóteses: a localização de todos os desaparecidos ou não haver mais condições biológicas de prosseguir", explica. 

Atualmente são 17 frentes do trabalho no local, cerca de 150 homens em serviço, 100 máquinas pesadas e seis cães, mas cerca de 50 animais já passaram pela operação. Ainda segundo Aihara, houve uma redução no efetivo humano no local, mas um aumento no número de máquinas. 

"A diferença é que essas máquinas substituem o trabalho humano no momento, porque agora os trabalhos no local consistem em revolver todo o rejeito, o que é feito pelas máquinas. São 10,5 milhões de metros cúbicos de rejeitos, e o que acontece é que essas máquinas conseguem remover esse rejeito e espalhá-lo para que ele seja vistoriado com busca visual e apoio de cães", detalha Aihara.   

Dentre os avanços citados pelo bombeiro em todo o período de operações em Brumadinho, estão o mapeamento dos piezômetros que estavam localizados em pontos diferentes nas barragens. A localização dos equipamentos permite analisar o comportamento do deslocamento da lama e identificar os pontos com maior probabilidade de se encontrar fragmentos de corpos. 

Localização de fragmentos

Nesta sexta-feira (3) foi encontrado um fragmento de corpo e nos últimos dias, foram localizados cerca de seis fragmentos. Ao todo, já foram localizados 600 fragmentos de corpos, resultando na identificação de 235 mortos. Isso significa 87% das vítimas da tragédia localizadas e identificadas, mas segundo o tenente Pedro Aihara, ainda existem muitos fragmentos a serem identificados. 35 pessoas seguem desaparecidas. 

Ainda conforme o militar, em algumas áreas do rejeito há mais concentração de minério do que em outras, e é justamente nestas áreas onde os fragmentos ou corpos encontrados apresentam melhor estado de conservação, o que permite a identificação mais rápida.  

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