As buscas pelo operário que foi soterrado em um deslizamento ocorrido numa obra no bairro Funcionários, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, completaram cinco horas. Mesmo com a força-tarefa montada pelo Corpo de Bombeiros, que retira a terra com a ajuda de um balde, o homem ainda não foi resgatado.

A Defesa Civil acredita que ele esteja soterrado a uma profundidade de aproximadamente oito metros. Até o momento, quatro metros de terra já foram escavados pelos militares. O acidente aconteceu por volta das 10h30 na esquina das ruas Piauí com Aimorés. 

Técnicos no local explicaram que o resgate está demorando, pois a terra está comprimida em decorrência das chuvas dos últimos dias. Além disso, antes de começar a retirar a terra do buraco, os bombeiros gastaram cerca de uma hora para fazer o trabalho de escoramento do buraco.

Resgate

Quando a terra cedeu e o homem foi soterrado, os bombeiros estavam esperançosos de retirá-lo do local com vida. “É muito possível que ele esteja vivo. Estamos trabalhando com essa possibilidade porque tem uma tubulação de ar a qual ele pode estar tendo acesso”, contou mais cedo o tenente Gonzalez.

Porém, com o avançar das horas essa chance vai diminuindo. "Ele tem aproximadamente 37 anos e estava furando um tubulão de oito metros de profundidade", explicou o comandante do 1º Batalhão, Fábio Daldgan. A causa do deslizamento ainda não foi esclarecida e será investigada posteriormente.

Além de quatro viaturas dos bombeiros, uma ambulância do Sistema Único de Saúde (SUS) e a perícia da Defesa Civil também estão no local. A movimentação chama atenção de quem passa na região.

Segurança

A Defesa Civil de BH explicou que o resgate exige cuidado por ser de alto risco. O agente Marcos Vinícius Vitório informou que, aparentemente, o operário não usava Equipamento de Proteção Individual (EPI). Pelas normas, segundo ele, o operário deveria usar um bolsão com uma uma grade de ferro que impede que a terra desça. Mas a Terrazzas Construtora, responsável pela obra, negou a necessidade do equipamento. Por meio de nota, a construtota informou que, para o serviço, "não era exigida a utilização do 'encamisamento' durante a escavação, conforme projetos, relatórios técnicos e laudo de estabilidade do solo".

Tristeza

Um homem que trabalha na obra disse estar chocado com o acidente. “Eu tive um livramento, porque estava bem próximo na hora, fiz o que podia até os bombeiros chegarem. Como fazemos a mesma função, é uma situação bem triste para mim. Mas acredito em milagres, desejo que Deus o resgate com vida”, declarou o poceiro Vilmar Silva.

A obra, que ainda está na parte de fundação, é de construção de um edifício residencial, com apartamentos de dois e três quartos. A Terrazzas Construtora informou ainda, por meio de nota, que "mantém rigorosa política de segurança e bem-estar de todos os colaboradores, diretos ou indiretos".

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