O aplicativo Buser, que oferece viagens compartilhadas em ônibus para outros municípios e Estados, voltou a ser alvo de uma polêmica nesta semana. A empresa desmentiu, nesta terça-feira (1º), mensagens que circulam nas redes sociais "alertando" que pessoas que adquiriram passagens pela plataforma para irem ao festival Rock in Rio, no Rio de Janeiro, tiveram suas viagens canceladas sem aviso prévio. 

O texto, que circula juntamente com uma imagem, afirma que várias pessoas ficaram sem transporte no último fim de semana ao tentarem ir para o evento musical. "A organização do evento está tentando avisar aos usuários para verificar se a passagem está válida para não causar transtornos na viagem. Pessoas com passagens canceladas devem buscar o app e a Justiça", diz a mensagem. 

Por meio de nota, a Buser afirmou que as informações são falsas. "Todas as reservas seguem normalmente agendadas, sem risco de qualquer prejuízo aos consumidores que ao escolher a Buser optam por viagens mais seguras, em veículos mais novos e confortáveis, pagando até 60% menos que pelo sistema tradicional", destaca. 

A reportagem também procurou a assessoria do Rock in Rio, que informou, por meio de uma nota, que a organização não emitiu nenhum alerta com relação ao aplicativo Buser. Entretanto, eles deixaram claro que o Rock in Rio não trabalha com esta empresa, e que os transportes fretados vindos de Minas e São Paulo foram feitos em parceria com outra empresa. 

Em seguida, a organização do show explicou ainda que conta com uma medida para coibir o transporte ilegal de passageiros e dar mais segurança ao público de fora da cidade. Um estacionamento foi disponibilizado na proximidade do evento para os ônibus fretados.

"As empresas interessadas em realizar este tipo de transporte devem se cadastrar no site https://projectclient.rockinrio.com/oficialfreightage para uma avalição prévia da organização do festival. Os veículos aprovados serão divulgados no site do festival. Com esta opção de transporte, o público terá uma alternativa segura e confiável para o seu trajeto até a Cidade do Rock", conclui.

Fiscalização

Por se tratar de uma viagem interestadual, o Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DEER-MG) informou que a fiscalização cabe à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Procurada, a  agência  disse não ser sua atribuição fiscalizar aplicativos de transporte, mas que qualquer empresa que faça viagens entre Estados (independentemente da plataforma utilizada para vender a passagem) deve seguir uma série de normas. 

"Lembramos que as empresas que prestam o serviço de transporte de passageiros, por meio de aplicativos, poderão ser fiscalizadas tanto pela agência quanto por outros órgãos fiscalizadores de transporte, de acordo com o tipo de serviço prestado (interestadual ou intermunicipal). A área técnica da agência tem se reunido para avaliar o impacto das novas tecnologias na área de transportes e como elas podem contribuir para melhorar a prestação de serviço aos usuários de transporte interestadual, de acordo com as normas do setor e está sempre aberta ao diálogo com a sociedade", conclui a ANTT. 

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