Ao mesmo tempo em que é o mais mortal para as mulheres, o câncer de mama também tem alta taxa de cura quando diagnosticado precocemente. Segundo a mastologista Bárbara Tace, diretora científica da Sociedade Mineira de Mastologia, aliados o tratamento adequado e o diagnóstico ainda na fase inicial da doença, a chance de cura é de 95%. 

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer, vinculado ao Ministério da Saúde, somente no ano passado, foram registrados 59.700 novos casos da doença no país, a mesma estimativa de novos casos para 2019. Em quase um terço dos casos, a doença leva a mulher à morte. Em 2017, foram 16.724 pacientes que morreram por causa do câncer de mama, a taxa mais alta de óbitos dentre os tipos de câncer em mulheres. 

E é justamente para conscientizar a população da importância da realização dos exames no tempo indicado que existe a campanha Outubro Rosa, lembrando que o diagnóstico precoce da doença é um dos principais caminhos para a cura.  

Prevenção primária 

Mas conforme a mastologista Bárbara Tace, é possível ainda, erradicar a doença antes mesmo que ela ocorra. A chamada prevenção primária consiste em adotar atitudes que visam impedir que o desenvolvimento do câncer de mama. 

"Essas ações, hoje, têm a sua eficácia comprovada. São elas a realização de atividades físicas por pelo menos 150 minutos por semana. Isso reduz em 30% a chance da mulher ter câncer de mama. Além disso, manter o peso controlado, já que a obesidade também pode aumentar o risco de desenvolver a doença, evitar a ingestão de grandes quantidades de bebidas alcoólicas e aderir a uma dieta de baixa gordura, também contribuem para diminuir este risco", explica. 

Ela cita ainda o uso individualizado da hormonioterapia, no caso de mulheres que já passaram pela menopausa. Isso porque, explica, "o uso destes hormônios também pode aumentar o risco de desenvolver a doença. Por isso, é preciso que haja um diálogo entre ginecologista e paciente para avaliar se o uso daqueles hormônios são realmente necessários para aquele caso, avaliar os prós e contras, discutir com a paciente se há um risco daquele hormônio aumentar a chance dela desenvolver a doença". 

Outros métodos 

Outro indicativo para a doença, mesmo que a mulher não tenha câncer de mama, é o histórico familiar. A indicação da especialista é para que a mulher passe a fazer o rastreamento (realização de mamografias anuais) com 10 anos de antecedência em relação à idade em que a mãe foi diagnosticada com câncer de mama, mesmo que ainda esteja fora da faixa prioritária para a realização do exame. 

"O ideal é fazer o rastreamento anualmente a partir dos 40 anos. Mas se a mãe da paciente tiver sido diagnosticada com câncer aos 45 anos, por exemplo, o ideal é que a filha dela comece a fazer o rastreamento com 35 anos", esclarece. 

Há ainda o teste genético para avaliar se a mulher tem o gene mutado, que indica uma probabilidade de até 80% de desenvolver a doença. Nestes casos, é possível a realização de uma mastectomia (remoção cirúrgica da mama) que elimina radicalmente o risco de o câncer se desenvolver, como fez a atriz norte-americana Angelina Jolie, em 2013. Na época, ela explicou, em entrevistas, que a cirurgia fez com que os riscos de desenvolver a doença caíssem de 87% para 5%.

"E em alguns casos, a paciente pode, ter ainda, lesões precursoras do câncer que são acusadas em biópsia e, para isso, o tratamento é a hormonioterapia profilática, onde usamos comprimidos para evitar que a paciente desenvolva o câncer", conclui Tace. 

Fatores de risco

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES), não existe uma causa única para o câncer de mama e, sim, alguns fatores que podem aumentar o risco da doença. São eles:

- Idade – as mulheres após os 50 anos são mais suscetíveis a desenvolver a doença;

- Primeira menstruação antes dos 12 anos de idade e menopausa após 55 anos;

- Primeira gravidez após os 30 anos ou não ter tido filhos;

- Fumar;

- Consumo de álcool;

- Sobrepeso ou obesidade;

- Exposição frequente a raios-X;

- Histórico familiar de câncer de mama e/ou ovário em parentes de primeiro grau (mãe, irmã ou filha) que tenham tido a doença antes dos 50 anos;

- Fazer uso de terapia de reposição hormonal pós-menopausa, principalmente se por tempo prolongado, e mulheres transexuais e travestis que passam por terapia hormonal.

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