Após a morte de Luiz Felipe Siqueira, de 17 anos, na manhã desta terça-feira (20), no Hospital João XXIII, a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) confirmou que as córneas do estudante foram retiradas para doação. 

“Se conseguir doar um fio de cabelo do Luiz, já será um alento para a nossa família”, afirmou Walter Evangelista Sousao, tio que trouxe o garoto para fazer o terceiro ano do Ensino Médio na capital. Até o ano passado, o adolescente morava com o pai e o irmão mais novo em São Paulo. 

A família informou que o corpo do adolescente, que até a noite desta terça-feira (20) ainda não havia sido liberado do IML de Belo Horizonte, será velado em Minas Novas e enterrado em Turmalina, cidades do Vale do Jequitinhonha onde moram os familiares. 

Luiz Felipe estava internado há uma semana após ser agredido por um colega dentro no Instituto de Educação, escola estadual tradicional no bairro Funcionários, na região Centro-Sul de BH. 

No dia 14 de novembro, os estudantes jogavam futebol durante o recreio quando teria ocorrido um desentendimento entre Luiz Felipe e outro aluno, de 18 anos. O jovem foi agredido com socos e pontapés. Ele teria tentado fugir, mas foi perseguido, recebeu um chute e acabou caindo na escada e acertando a cabeça numa quina. 

Imagens do circuito interno da escola registraram a violência. 

O suspeito das agressões teve a prisão convertida em preventiva e desde 15 de novembro está detido no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Gameleira, na região Oeste de BH.

Segundo a Secretaria de Estado da Educação (SEE), o agressor tem histórico de brigas com outros estudantes, uso de palavrões e discussões. Nesta terça-feira (20), a SEE determinou a instauração de uma sindicância para apurar o caso.

Defesa do agressor

 A reportagem ouviu a defesa do agressor, que afirmou que o jovem está assustado e arrependido por tudo o que aconteceu. Segundo William Vaz, defensor público responsável pelo caso, a defesa vai pedir que ele seja julgado por lesão corporal. "Ele não teve a intenção de matar o colega. Houve, sim, a agressão, mas ela não foi iniciada com esse intuito. A pena deve ser maior agora porque a lesão resultou em morte, mas a própria família dele defende que a justiça seja feita, mas da forma certa", justificou.

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