Quarenta e dois anos após ser coberto, o Córrego do Leitão, na rua Padre Belchior, no Centro de Belo Horizonte, será renaturalizado e voltará a correr a céu aberto. Pelo menos é o que anuncia uma placa instalada misteriosamente na via, bem ao lado do Mercado Central, na manhã de sábado.
A chapa metálica informa que o “projeto”, coordenado pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e pelos ministérios do Meio Ambiente e da Pesca e Aquicultura, custará quase R$ 6,4 milhões. A previsão é a de que as obras tenham início no mês que vem e terminem em maio de 2014.
 
O Córrego do Leitão atravessa parte da área urbana da capital. Com o crescimento da cidade, foi coberto na década de 70. Sobre ele passam, por exemplo, a avenida Prudente de Morais, um trecho das ruas São Paulo e dos Tupis e a Padre Belchior.
 
A placa instalada na última via traz uma perspectiva de como ficaria o espaço após o “resgate” do curso d’água. Por isso, chamou a atenção de quem passou pelo lugar no fim de semana.
 
Mesmo padrão
 
A chapa segue os moldes daquelas usadas diante de empreendimentos públicos. Traz, inclusive, o logotipo do[/LEAD] Governo federal, da Caixa e dos ministérios “à frente” do projeto.
 
O “xis” da questão é que a obra, que teria impacto na paisagem de BH e afetaria também o trânsito, não foi anunciada à imprensa – embora esteja a poucos dias de começar. Também não consta no Diário Oficial do Município nem no Diário Oficial da União, órgãos de comunicação da prefeitura e do Governo federal.
 
Procurada, a assessoria da PBH informou que só teria condições de se manifestar sobre o assunto nesta segunda-feira. Ninguém foi encontrado nos ministérios.
 
Desconfiança
 
Para o ambientalista e criador do Projeto Manuelzão, Apolo Heringer Lisboa, a renaturalização do Córrego do Leitão seria uma novidade. Mas desperta suspeita, principalmente, pelo movimento contrário que vem sendo observado na cidade.
 
“Hoje, a PBH está é fechando todos os cursos d’água, não abrindo. E renaturalização não é só isso, começando pelo meio da rua. É preciso tratar primeiro as nascentes para que o córrego aproxime-se, o máximo possível, do natural”, explica.
Para o professor, a placa pode ser apenas uma intervenção urbana feita por alunos de uma escola de arquitetura.
 
No sábado, houve uma edição do projeto “Nessa rua tem um rio”, organizado pelo Instituto Undió, na rua Padre Belchior.
 
Mas a coordenadora da entidade, Tereza Portes, disse neste domingo que a placa não fez parte das ações e informou desconhecer quem a teria deixado na via.
 
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